Artes Visuais

Sorrir é existir (e resistir)

Exposição inédita 'Meninos Que Sorriem' chega à Praça Mauá numa celebração à ternura e a alegria de 20 jovens da comunidade da Maré

Sorrir é existir (e resistir)
O fotógrafo britânico-nigeriano Kay Rufai e os jovens da Maré fotografados para o proketo Crédito: Divulgação

O fotógrafo britânico-nigeriano Kay Rufai desembarca no Rio com um projeto que ressignifica a lógica de narrativas sobre favelas. "Meninos Que Sorriem" (SMILE-ing Boys) abre ao público na Praça Mauá nesta sexta-feira (29), em apresentação única, apresentando os rostos de 20 jovens negros, entre 13 e 18 anos, residentes do Complexo da Maré em registros de ternura, amizade e alegria.

A exposição nasce de processo colaborativo que colocou as câmeras nas mãos dos próprios participantes. Rufai trabalhou com os artistas brasileiros Math de Araújo e Diego Reis em oficinas ao longo de várias semanas, criando um espaço onde os jovens pudessem documentar a si mesmos, suas amizades e seus cotidianos. O resultado combina fotografia com poesia, reflexão e narrativa — uma obra que questiona o que acontece quando meninos negros são centrados em sua humanidade, e não apenas em histórias de trauma.

As oficinas ocorreram logo após uma das operações policiais mais violentas da história recente do Rio, em uma favela vizinha à Maré, um evento que impactou diretamente a vida de muitos dos participantes. Viver sob vigilância estatal constante é a realidade cotidiana desses jovens. Globalmente, homens e meninos negros enfrentam maiores riscos de violência institucional e limitações impostas por narrativas racializadas e ideias restritas sobre masculinidade. O projeto de Rufai responde a essa realidade com uma pergunta: o que muda quando essas vidas são vistas pela imaginação e pelas possibilidades?

Kay Rufai é também pesquisador de saúde mental, e sua obra reflete essa dupla preocupação. "Queria criar imagens que rejeitassem as formas limitadas como os meninos negros são frequentemente retratados", explica. Na Maré, ele encontrou — apesar das realidades que esses jovens enfrentam — "ternura, humor, imaginação, cuidado e uma alegria profunda".

O acrônimo SMILE carrega significado simbólico: Send Me Inspiring Loving Energy (envie-me energia inspiradora e amorosa). A iniciativa celebra o direito dos meninos negros à alegria, ao direito de serem vistos por suas possibilidades, não apenas por suas ausências ou lutas. "Meninos Que Sorriem" é um projeto internacional com mais de uma década de trajetória, com edições anteriores em Londres e Los Angeles. A apresentação no Rio marca a estreia brasileira e integra o MenCare Changemaker Summit 2026, um encontro global de quatro dias (27 a 30 de maio) focado em masculinidade solidária e igualdade de gênero e que oferece conversas, arte, performances e música ao vivo para o público geral.

SERVIÇO

MENINOS QUE SORRIEM (SMILE-ING BOUS)

Praça Mauá

29/5, das 10h às 17h (apresentação única)

Entrada franca

 

Galeria de imagens

Wesley, 14 anos Crédito: Kay Rufai