Affonso Nunes
AGaleria Rodrigo Mello Franco, do Museu Nacional de Belas Artes, esteve fechada desde março de 2020. Na sexta-feira, 18 de setembro, às 11h, ela reabre com "O Futuro da Memória", mostra que apresenta um recorte das novas aquisições incorporadas ao acervo do instituto — mais uma etapa na reabertura em fluxos dos espaços do MNBA/Ibram.
Em seus mais de 350 m², estarão em exibição cerca de 68 obras que traduzem o compromisso do museu com a renovação, a ampliação e a atualização de sua coleção pública. Pinturas, desenhos, esculturas, fotografias e cerâmicas propõem, entre outras leituras, uma reflexão sobre quem somos enquanto sociedade — com a pluralidade e a inclusão de questões de raça, gênero, território e identidade como bússola.
A mostra está organizada em quatro núcleos. "Rostos: diversidade em questão" remete às nossas origens; "Êxtase e loucura" questiona certezas e abre espaço para as dúvidas; "A cruz e a lança" acende velas para a nossa diversidade religiosa e envereda pelo terreiro do reconhecimento e da exclusão de crenças; e "Tradição em disputa" promove o diálogo entre o passado — que situa o acervo do século 19 do MNBA como referência nacional — e o contemporâneo, no qual a coleção segue em expansão.
Nesse desenho, o público vai encontrar obras de Henrique Bernardelli, Di Cavalcanti, Eugênio Sigaud, Bené Fonteles, Rafa Bqueer, Djanira, Sergio Camargo, Edivan Alves, Anna Bella Geiger, José Joaquim da Rocha, Siron Franco, Moara Tupinambá, Rubem Valentim, Daniel Senise e Mario Cravo Neto, entre outros.
O panorama reflete uma abrangência artística moderna e contemporânea sem fronteiras — e inclui uma monumental escultura do indo-britânico Anish Kapoor (1954), a única do artista em acervo público no Brasil. Ao longo do tempo, haverá trocas: algumas obras sairão e novas doações entrarão na exposição.
Numa homenagem especial, obras de Carlos Zílio, recentemente doadas, ganham uma sala só para si. A sala busca traçar uma perspectiva temporal, conceitual e metodológica do artista carioca cujos trabalhos marcam a arte brasileira recente.
"Pensar, de forma prospectiva, sobre o que será a memória das artes ou, melhor, o acervo de um museu público no país é diagnosticar as inúmeras disputas e experimentações que atravessam o campo das artes visuais", destaca o texto da curadoria assinado por Felipe Scovino e Maria De Simone, ressaltando a necessidade de "debater os dilemas de uma sociedade que pleiteia a igualdade de direitos e a diversidade em suas diferentes esferas."
SERVIÇO
O FUTURO DA MEMÓRIA
Galeria Mello Franco - Museu Nacional de Belas Artes (Av. Rio Branco, 199 - Centro)
Até 19/12, de terça a sábado (11h às 17h) | Grátis
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