Correio da Manhã
Artes Plásticas

Pequenas reflexões sobre o fazer artístico

Expoente da Geração 80, Daniel Senise abre seu ateliê em série de pinturas experimentais na mostra 'Os dois lados da janela'

Pequenas reflexões sobre o fazer artístico
O público verá mais de 60 trabalhos que abrangem a produção do artista do anos 2000 até agora, incluindo trabalhos inéditos Crédito: Divulgação

Daniel Senise, um dos principais nomes da pintura contemporânea brasileira, apresenta uma série de pequenas obras que descortinam os bastidores de seu processo criativo. As "pinturinhas", como o artista as chama, são experiências desenvolvidas em seu ateliê que revelam a intimidade de quem esteve na vanguarda da Geração 80, movimento que redefiniu a pintura no Brasil durante os anos 1980.

O carioca Senise consolidou sua carreira explorando a relação entre imagem, espaço e materialidade. Diferentemente de muitos artistas que abandonaram a pintura em favor de outras linguagens, ele manteve o diálogo com a tela como instrumento de investigação. Sua prática, desde o final dos anos 1990, é descrita como "construção de imagens" — um processo que começa com a impressão de texturas de superfícies reais, como pisos de madeira ou paredes de concreto, transferidas para tecidos e depois para a pintura.

Ter acesso ao laboratório do artista é um dos pricipais atrativos desta exposição. As pequenas pinturas - geralmente estudos, testes de materiais e explorações formais - raramente são vistas pelo público. Senise trabalha com impressões de ferro, pó, chumbo e outros materiais que deixam marcas na superfície, criando uma pintura que não depende do gesto tradicional do pincel. É uma abordagem que desafia a noção convencional de pintar.

Acompanhando as obras estão os textos da curadora Pollyana Quintella, descritos como "legendas expandidas". Essas anotações comentam obras específicas ou o conjunto do ambiente, funcionando como um diálogo crítico que contextualiza as escolhas do artista.

A trajetória de Senise inclui participações em quatro edições da Bienal de São Paulo (1985, 1989, 1998 e 2010), na 2ª Bienal de Havana (1986) e exposições em galerias internacionais como a Nara Roesler, com sedes em São Paulo e Nova York. Seus trabalhos integram coleções de instituições como o Museu de Arte Contemporânea da USP e o Rosewood São Paulo, consolidando seu lugar na história da arte brasileira.

SERVIÇO

OS DOIS LADOS DA JANELA

Paço Imperial (Praça Quinze de Novembro, 48)

De 4/7 a 6/9, de terça a domingo e feriados (12h às 18h) | Grátis

 

Galeria de imagens

O público verá mais de 60 trabalhos que abrangem a produção do artista do anos 2000 até agora, incluindo trabalhos inéditos Crédito: Divulgação