Brasília recebe entre os dias 1º e 4 de julho a 19ª edição do Festival Latinidades, que neste ano tem como tema a saúde mental de trabalhadoras e trabalhadores da cultura. A programação será realizada em diferentes espaços da capital federal e inclui debates, oficinas, apresentações culturais, feira de empreendedorismo, exposição, lançamento de pesquisa nacional e atividades voltadas à formação. Pela primeira vez, o festival também promoverá uma etapa internacional, com eventos em Nova York entre os dias 24 e 26 de julho.
Criado em Brasília há quase duas décadas, o Festival Latinidades reúne ações voltadas à produção artística e cultural protagonizada por mulheres negras. Em 2026, a organização afirma que a programação foi estruturada para discutir as condições de trabalho no setor cultural e as formas de cuidado relacionadas à atividade profissional.
Segundo a idealizadora do festival, Jaqueline Fernandes, a proposta é ampliar o debate sobre saúde mental para além das situações de adoecimento. De acordo com ela, a programação também pretende abordar temas relacionados ao descanso, à espiritualidade, ao pertencimento, ao bem viver e às redes de apoio construídas por profissionais da cultura.
“O Latinidades é um laboratório de futuro construído a partir das experiências das mulheres negras. Porque somos muito mais do que um festival. Somos uma plataforma de criação, formação, memória, incidência e transformação social. Ao longo de quase duas décadas, ajudamos a tornar públicas conversas que antes aconteciam apenas em espaços restritos, antecipamos debates que hoje fazem parte da agenda nacional e ampliamos o repertório sobre o que é cultura produzida por mulheres negras”, ela comentou ao Correio da Manhã.
A abertura ocorreu em 1º de julho com o encontro "Quem cuida de quem produz?", que foi destinado a produtoras, técnicas e profissionais negras que atuam nos bastidores da produção cultural. Também foi inaugurada, na Rodoviária do Plano Piloto, a exposição "Chão Ancestral", que permanece aberta à visitação até 31 de julho. A mostra reúne fotografias de Walisson Braga, Luiz Alves e Webert da Cruz e celebra os 280 anos do Quilombo Mesquita. Realizada em parceria com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a exposição apresenta registros sobre a trajetória das mulheres quilombolas e sua participação na preservação das tradições culturais.
Nos dias 2 e 3 de julho a programação se concentra no Museu Nacional da República. Entre as atividades previstas está a vivência "Purna Alquimia Intuitiva: Meditação Alquímica do Fogo", conduzida pela terapeuta transpessoal Clarice Val Purna, que propõe uma reflexão sobre saúde física, mental e emocional por meio de práticas meditativas.
Ainda no museu acontece a oficina "Fios ancestrais: Juventudes de Terreiro e os Saberes das Yabás". A atividade discute ancestralidade, identidade, racismo religioso e referências das religiões de matriz africana, encerrando com a produção coletiva de acessórios inspirados nas Ìyábas.
O espaço também recebe a Casa da Igualdade Racial, iniciativa desenvolvida em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, além da Feira Latinidades, voltada à circulação de produtos e serviços de empreendedoras negras.
No dia 3, uma das mesas programadas discute a relação entre arte, saúde mental e bem viver. O encontro reúne as artistas Linn da Quebrada e Karol Conká, com mediação de Val Benvindo, para tratar de processos criativos, limites profissionais e redes de apoio no ambiente artístico.
Outro painel previsto para 3 de julho aborda estratégias de formação de público e circulação da cultura negra. Participam representantes do Festival Latinidades, Batekoo, Psica e Afropunk, em debate mediado por Taiane de Bittencourt, do Instituto Cultura, Comunicação e Incidência. A proposta é discutir formas de relacionamento com o público e modelos de impacto cultural e econômico desenvolvidos pelas iniciativas.
Ainda na programação do terceiro dia é lançado o programa "Descansa Nêga", desenvolvido pelo Fundo Agbara. A atividade ocorre em formato de microfone aberto e convida mulheres negras a compartilharem relatos sobre viagens, descanso e memórias afetivas, discutindo o descanso como parte das condições de vida e trabalho.
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