Chega hoje ao circuito carioca o necessário “Franz Antes De Kafka” (concorrente da Concha de Ouro do Festival de San Sebastián de 2025), da polonesa Agnieszka Holland. Pérolas da obra dessa septuagenária artista serão projetadas, como “O Jardim Secreto” (1993) e “O Segredo de Beethoven” (2006), mas a grande expectativa de sua homenagem cerca sua narrativa experimental sobre Kafka (1883-1924), com o bailarino Idan Weiss no papel central. O roteiro acompanha a marca que o autor de “A Metamorfose” deixou no mundo, desde seu nascimento na Praga do século XIX até sua morte na Viena pós-Primeira Guerra Mundial.
“Quando adolescente, eu era mais intelectualizada do que sou hoje e li Kafka quando tinha uns 14, mas eu percebo que ele vem e volta, mostrando-se mais atual do que nunca em meio às trevas que se espalham pelo mundo hoje”, afirmou Agnieszka ao Correio da Manhã, em San Sebastián. “Quem tem dor não pensa em política, mas a política pensa naqueles que fazem doer, inevitavelmente”.
Nascido em Praga, no fim do século XIX, em uma família judia tcheca de classe média (que falava alemão e iídiche), Franz Kafka foi cristalizado no imaginário da literatura europeia por palavras que traduzem a exasperação diante da burocracia e da angústia de não pertencimento. Apesar disso, turistas de todo mundo visitam os espaços por onde ele circulou como se fosse um espetáculo, num paradoxo que inspira um dos momentos mais críticos de “Franz”.
Kafka por Agnieszka
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