Foi grande a expectativa no meio político pelo debate desta sexta-feira, 23, na TV Globo entre os dois candidatos a presidente de República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A coluna perguntou ao CEO da Quaest pesquisa e consultoria, o cientista político Felipe Nunes, quem ele achava que, afinal, venceu o debate entre os indecisos. A Quaest manteve ao longo do debate um time de inteligência espalhado pelo Brasil acompanhando, em tempo real, a opinião de 300 pessoas de diferentes preferências políticas.
Segundo Felipe Nunes, os indecisos empataram na avaliação entre quem venceu e quem perdeu o debate, “com leve vantagem para Flávio”.
Ambos chegaram à reta final da disputa empatados em praticamente todas as pesquisas de intenção de voto. Com isso, o debate passou a ser encarado como uma força capaz de definir o vencedor das eleições.
Aliados de Lula avaliavam que uma vitória clara do presidente resultaria no primeiro lugar nas urnas no próximo domingo, 25. Já a equipe do senador trabalhou tendo como meta que ele não saísse derrotado do embate. Isso seria o suficiente para se eleger.
A margem tão estreita na diferença das intenções de votos entre os candidatos, tornou os eleitores indecisos como os mais importantes desse final da campanha eleitoral. Bolsonaristas e petistas já estão com sua decisão consolidada. Quem conquistar a maioria dos indecisos estará eleito.
Então esse empate no debate “com leve vantagem para Flávio” significa que ele já ganhou?
Não necessariamente. Não foi um bom resultado para Lula, mas não se sabe ainda da força real que, por exemplo, uma mobilização como o “Exército do Lula”, comandado pelo deputado André Janones (Rede-MG), terá no resultado final das urnas.
O canal foi a grande surpresa do segundo turno da campanha eleitoral, Amanheceu neste sábado, véspera da eleição, com 10,6 milhões de seguidores dispostos a carregar pedras para virar o jogo em favor de Lula.
Além do mais, em matéria de resultados de debates, a versão que repercute do encontro é mais importante do que o resultado no momento da disputa. Até hoje diz-se que Fernando Collor de Mello venceu as eleições contra Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, por causa da versão editada pela TV Globo que foi ao ar nos telejornais da emissora no dia seguinte ao programa. A versão é que teria dado a vitória a Collor.
Hoje quem costuma dar a versão final sobre os acontecimentos são a internet e as redes sociais, mais do que a TV e seu telejornais. E o “exército” de Janones parece ter grande poder de influência nas redes. À 10h42, deste sábado, por exemplo, o “general” Janones recebeu ligação do “marechal Silva” direta para sua live, com 500 mil pessoas assistindo: “Quero agora que vocês postem 300 mil hashtags ‘Lula em Copacabana’ chamando as pessoas para o ato público lá no Rio de Janeiro”, disse.
Um poder de arregimentação capaz de engrossar o ato promovido por Lula e as urnas. E assustar os adversários. Tanto que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, chegou a determinar a suspensão do canal no whatsapp. Foi preciso o corregedor do Corte, Ricardo Villas Bôas Cueva, mandar voltar o canal ao ar e só saísse se assim fosse decidido pelo plenário da Corte.
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