O Oráculo de Delfos foi o mais importante santuário de adivinhação da Grécia Antiga, consagrado ao deus Apolo e localizado nas encostas do Monte Parnaso. Reis, generais, filósofos e cidadãos comuns do mundo antigo consultavam-no antes de guerras, fundações de colônias e decisões de Estado.
O grande oráculo dos tempos modernos não fica em um templo, como o de Apolo, mas guarda uma sacerdotisa suprema, como a Pítia. O novo oráculo chama-se Mercado. Com a Pítia dos tempos modernos, também traz suas profecias em termos ambíguos e enigmáticos. Às vezes acerta, às vezes nem tanto.
Em momentos de grande tensão, como na Grécia antiga, reis, presidentes, políticos, generais, filósofos e cidadãos comuns se voltam para o mercado como todos se voltavam no passado para o Oráculo de Delfos buscando entender os sinais enigmáticos que que trazia a Pítia.
E assim foi nesta quinta-feira, 22, três dias antes da eleição presidencial mais importante do século. O mercado, que vinha em ascensão, refletindo as seguidas elevações das intenções de voto em Flávio Bolsonaro nas pesquisas de opinião, passou o dia em queda.
O dólar comercial subiu 0,22%, cotado a R$ 5,038, impulsionado pela busca de proteção no exterior e pela proximidade da votação presidencial. O Ibovespa fechou em queda de 1,15%, aos 204.120,12 pontos, pressionado pelos boatos de que o Datafolha traria mais uma queda de Flávio nas pesquisas, ou elevação de Lula.
De fato, a Pítia dos tempos modernos antecipou que o Datafolha veio com o empate de 50% a 50% para Lula e Flávio Bolsonaro nas intenções de voto. Parece que o mercado perdeu um pouco do encantamento pelas idas e vindas das promessas do bolsonarismo, que uma hora fala em acabar com o Bolsa Família, outra hora fala em aumentar o benefício. Que fala em cortar aposentadorias para o ajuste fiscal e depois jura que nunca faria isso.
O sinal do oráculo dos tempos modernos para Flávio Bolsonaro é de que, na ânsia de sair de sua bolha, ele está perdendo a confiança do mercado que já estava decidido a apoiá-lo.
Nesta reta final da campanha, Flávio Bolsonaro tem pela frente o evento mais importante da campanha eleitoral: o debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transmitido pela TV Globo.
Seus marqueteiros cobram que não cometa erros neste momento. A avaliação é de que ele já conseguiu tirar força do desafio de quebra de sigilo, apresentado por Lula no último debate, com a resposta em que aceitou abrir suas contas e cobrou do adversário que também abra as suas, de seus parentes e aliados dentro e fora do governo.
Para o debate, Flávio deverá apresentar um tom mais sério, sem a marca debochada de um Pablo Marçal contra um homem muito mais velho como o presidente Lula. Tentar transmitir confiabilidade e procurar um discurso que não deixe transparecer falta de convicção nas ideias defendidas pelo mercado.
Enfim, voltar à proteção da bolha, e procurar trazer o apoio da chamada terceira via que as pesquisas internas apontam estar se voltando para o adversário.
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