Tales Faria

Credibilidade é desafio para a equipe de Flávio

Equipe de campanha estuda como evitar estrago das declarações contraditórias do candidato que soam como mentiras para parte de seu próprio eleitorado

Credibilidade é desafio para a equipe de Flávio
Flávio Bolsonaro Crédito: Charles Vieira

A equipe de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), se dobrou ao "tudo ou nada" da reta final da eleição, mas está preocupada em evitar que a perda de credibilidade acabe tirando votos do candidato a presidente da República.

As idas e vindas das declarações do candidato tiveram a concordância de sua equipe. Até foram incentivadas como única possibilidade em algumas situações, mas, segundo pesquisas internas, não convenceram a uma parcela de seus possíveis eleitores.

Por exemplo: o candidato teve que sinalizar em conversas reservadas com empresários de São Paulo, com quem se encontrou nesta quarta-feira, 14, que seu eventual governo poderá rediscutir o projeto de livre negociação da escala de trabalho entre patrões e empregados.

Ele vinha defendendo outro texto, apresentado ao Congresso pelo seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (RN), mas foi derrotado com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que aprovou a derrubada da escala 6x1 com a adoção da chamada escala 5x2 – cinco dias de trabalho semanais por dois de folga.

O candidato do PL chegou a se manifestar publicamente contra a 5x2 e a favor da flexibilização proposta por Marinho, mas acabou anunciando que votaria a favor do projeto do governo. Seu adversário na campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é candidato à reeleição, o havia desafiado a "mostrar a cara" aos eleitores votando "contra o povo" na noite desta quarta-feira.

Lula sabia que Flávio entraria em choque com a maioria do eleitorado, que defende a derrubada da 6x1, se votasse contra a proposta. Por isso ele mudou o voto. Mas o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (RJ), deixou claro em entrevista à imprensa que, se vitorioso nas urnas, o governo Bolsonaro irá retomar a flexibilização.

A credibilidade do candidato já vinha ameaçada pelo escândalo envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Antes de o ex-banqueiro ser preso, em março, Flávio dizia que os dois não tinham qualquer envolvimento. Em maio, foram reveladas mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro. De início, o candidato negou que elas existiam. Depois, admitiu que conversou com o ex-banqueiro, mas negou qualquer irregularidade e insistiu que prestaria contas do dinheiro que pediu e recebeu de Vorcaro, mas acabou afirmando que não cabia a ele prestar contas.

Isso sem contar o caso do debate com Lula a ser transmitido pela Band no próximo domingo, 18. Na terça-feira, 13, enquanto o presidente Lula anunciava que estaria presente, Flávio Bolsonaro afirmou que não iria. No dia seguinte, diante da insistência da emissora em manter o programa, ele se saiu com uma explicação quase infantil:

"Lula, como você é previsível, né? Bastou eu falar que não ia no debate da Band para você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse."