Tales Faria

Essa guerra no Supremo Tribunal Federal é ampla, não acaba agora

Gilmar Mendes não se mostra disposto a deixar o TSE sem subordinação ao STF, impõe Renan Santos no debate e Globo suspende o programa

Essa guerra no Supremo Tribunal Federal é ampla, não acaba agora
Octógono do STF não desperta muita atenção do eleitor Crédito: Gustavo Moreno/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pediu aos ministros brigões da Corte uma pausa na troca de tiros até as eleições. O pedido explícito foi feito em conversas separadas. Nos encontros mais amplos, Fachin tem usado expressões de pacificação como um complemento dos pedidos tête-à-tête.

Nas conversas reservadas com Fachin todos foram corteses e deixaram a entender que, sim, concordavam que as brigas estavam atrapalhando o rumo das eleições. Mas nenhum dos ministros envolvidos na brigalhada admitiu algum tipo de culpa.

O ministro Kassio Nunes Marques se juntou a Fachin para tentar jogar água na fervura. Foi a partir do encontro que mantiveram, na manhã do dia 28, que a situação pareceu esfriar. Kassio reclamou de um suposto "TSE paralelo" operado pelo grupo de ministros do STF contrários a Bolsonaro, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes para desautorizar decisões da Justiça Eleitoral.

No dia anterior, Dino havia acolhido um pedido do humorista Antonio Tabet para restaurar sua postagem nas redes sociais sobre Nossa Senhora Aparecida, que foi removida a mando do vice-presidente do TSE, André Mendonça. Gilmar, por sua vez, argumenta que é o grupo de Mendonça, Kassio e Luiz Fux que tem tentado manipular Justiça com intenções eleitorais.

Fachin e Kassio, então, chegaram a uma conclusão salomônica: poderia ser mantida a decisão de Mendonça contra posts que citassem o interesse de Flávio Bolsonaro de acabar com o título de Nossa Senhora de Aparecida como "Padroeira do Brasil", assim como manter o post de Antonio Tabet e outros que não colocassem explicitamente o filho de Jair Bolsonaro contra a santa.

O acordo foi selado e cumprido: O TSE manteve a decisão de Mendonça apenas para os casos em que Flávio fosse citado e o humorista voltou a publicar seu post. Parecia uma trégua.

Mas não ficou claro se todos os envolvidos na brigalhada aceitavam a pacificação ou se houve apenas um entendimento entre Kassio e Fachin. Ficou no ar a sensação de que bastava um próximo vazamento de informações do processo de Daniel Vorcaro, ou mesmo um gesto de beligerância de um dos lados para que a guerra seja retomada.

O gesto veio de Gilmar Mendes, que não se mostrou disposto a deixar o o TSE sem subordinação ao STF. Surpreendeu a todos determinando, contra decisão da Corte Eleitoral, que Renan Santos (Missão) teria que estar no debate da Globo. Deixou Kassio Nunes Marques irritadíssimo. Flávio Bolsonaro anunciou que desistia do debate. E a Globo também. Cancelou o programa de última hora, quando estava tudo pronto.

Talvez só uma ampla reforma do Judiciário ponha as coisas no lugar.