Tales Faria

Lula está irritado com Edson Fachin

Petista avalia que o presidente do STF tem favorecido o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, na disputa eleitoral pelo comando do Palácio do Planalto

Lula está irritado com Edson Fachin
Lula e Edson Fachin Crédito: Marcelo Camargo - Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reclamado com assessores e integrantes da cúpula do PT do desempenho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, à frente da Corte.

Lula gosta de Fachin e o considera, ideologicamente, como um aliado. Mas avalia que o presidente do Supremo tem favorecido o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, na disputa eleitoral pelo comando do Palácio do Planalto.

O presidente da República se sentiu especialmente prejudicado com o anúncio feito pelo presidente do STF de adiamento da discussão sobre André Mendonça que estava prevista para a próxima quarta-feira, 23.

Relator do caso Master, André Mendonça foi acusado pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes de estar por trás, com objetivos eleitorais, de vazamentos seletivos do processo.

No despacho desta quinta-feira, 17, Fachin usou como argumento uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes na sessão do dia 15, quando o ministro pediu que o caso contra Alexandre de Moraes – suspeito de ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro – fosse adiado e julgado junto com a petição envolvendo as acusações contra André Mendonça, já pautadas para o dia 23.

O presidente do STF havia decidido que os dois casos deveriam ser discutidos separadamente. Mas agora, depois de uma sessão inteira sobre Moraes, Fachin concluiu que a questão precisa ser resolvida pelo plenário antes de o Supremo avançar sobre o procedimento relacionado a Mendonça. Ele escreveu:

"Considerando a direta relação dos pontos contidos na questão de ordem referida acima com a apreciação destes autos, abarcando questionamento sobre a regularidade da própria relatoria, a inclusão em pauta será oportunamente redesignada."

Para piorar, ele nem marcou data para a próxima reunião. Isso significa que continuará no noticiário a crise no STF, com a briga entre os grupos de Mendonça e Moraes.

Lula é visto como aliado de Moraes e tem perdido pontos nas pesquisas eleitorais desde que a briga começou. A sessão do dia 23, que trataria especificamente acusações contra André Mendonça, era esperada pelo governo e pelo comando petista como uma oportunidade para equilibrar o jogo.

Agora, além de tirar essa oportunidade dos petistas, Fachin ainda arrumou um jeito de adiar indefinidamente a discussão em torno dos ministros considerados aliados dos bolsonaristas, como Fux e Kássio Nunes Marques.

Na sessão de terça-feira, em pleno auge da brigalhada entre os ministros, foi a vez de Flávio Dino, reclamar abertamente da condução que Fachin estava dando ao assunto nas proximidades da eleição. Ele disse:

"[Estamos] Há 15 dias de uma eleição e o tribunal se expõe – veja, sem ponto final – porque Vossa Excelência, acho que ainda não se deu conta disso, está condenado a marcar dezenas de sessões iguais a esta" Fachin quis saber o porquê desta afirmação e Dino respondeu:

"As mensagens do ministro Fux, as mensagens relativas ao ministro André... Nós vamos para onde? Eu imaginava que Vossa Excelência tinha pensado nisso. Nós vamos ficar semanas debatendo isso."

Vamos ficar mesmo, para desespero do governo.