Fica quase tudo como antes até pelo menos o dia 15, quando poderá haver a tão esperada sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Mendonça havia determinado o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Argumentou que ambos monitoraram seus passos para produzir um relatório apócrifo apresentado à Corte por Moraes. Este, por sua vez, acusou o colega de persegui-lo com vazamentos e de e usar o inquérito do Dark Horse para atacar desafetos [ou seja, os adversários do candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro].
O também ministro Flávio Dino, que foi ministro da Justiça do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou na briga e suspendeu a decisão de Mendonça contra os gestores da PF. Argumentou que o afastamento atrapalhava as investigações sob sua responsabilidade no STF acerca de emendas parlamentares que beneficiariam Daniel Vorcaro.
Enfim, uma brigalhada pública nunca vista entre ministros do Supremo com cada um deles tomando decisões contra deliberações do outro e todos atropelando a autoridade do presidente da Corte, Edson Fachin. E este não quis dar um basta na situação convocando os brigões para uma sessão plenária de todos os ministros. Empurrou com a barriga. Estabeleceu um prazo de cinco dias úteis para Moraes e Mendonça se explicarem, e de três dias para Mendonça responder ao pedido da Advocacia Geral da União para que revogasse sua decisão sobre os chefes da PF.
Foi diante dessa situação que Edson Fachin, anunciou nesta quarta-feira, 9, que tomou uma atitude aparentemente forte: suspendeu as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre a gestão da Polícia Federal e marcou uma sessão plenária para o dia 15 de setembro.
Em seu despacho, ele determinou solenemente "a suspensão da decisão [...] de lavra do ministro André Mendonça, no âmbito da Pet 16.662. [...] Nesta oportunidade e a título de saneamento amplo de feitos em tramitação, reitero a ordem por mim exarada na Pet 16.704, por meio da qual suspendi decisão proferida, na data de hoje, pelo ministro Flávio Dino na Pet 16.669, porquanto o tema ali invocado está sendo regular e devidamente enfrentado por esta Presidência nestes autos, sendo a Presidência – e apenas ela – a autoridade competente para tanto. Aguarde-se o decurso do prazo de informações de Sua Excelência, o ministro André Mendonça, [nota da coluna: os tais cinco dias úteis] após o qual os autos devem retornar conclusos a esta Presidência, para deliberação."
Ou seja, a deliberação fica para depois. E Fachin também empurrou com a barriga a decisão, sobre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues: "Intime-se o sr. Andrei Augusto Passos Rodrigues, para, em 48 horas, querendo, prestar informações, prazo após o qual sua permanência na direção-geral da Polícia Federal [...] será apreciada por esta Presidência."
Como diz em parte o bordão popular, quase tudo ficou "como dantes no quartel de Abrantes".
Fachin desmarcou a sessão plenária que ocorreria nesta quarta-feira. Há previsão para a próxima terça-feira, 15. Só não ficou tudo como dantes porque ele, ao que parece, pegou para si a relatoria do Inquérito das Fake News. Mas vale esperar até a reunião do plenário.
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