O cientista político Antônio Lavareda, presidente do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) faz o seguinte prognóstico sobre as eleições presidenciais deste domingo (25). Segundo ele disse ao Correio Político, se as últimas pesquisas de intenção de voto no sábado (24) apontarem para um empate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, a probabilidade será de vitória de Flávio. Lavareda calcula essa probabilidade em 55%. Se Flávio aparecer numericamente à frente, 1,5 ponto ou dois pontos de vantagem, então Lavareda amplia essa probabilidade para 75%. Lavareda, porém, fez esses prognósticos antes da pesquisa da Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). Ele os mantém, mas não pode deixar de levar em conta dois dados que considera importantes no levantamento.
Lavareda: Flávio é favorito, mas sua situação é vulnerável
Rejeição e indecisos: os fatores cruciais
Ambos os candidatos têm percentual alto de rejeição. Mas a rejeição de Lula caiu seis pontos na Quaest, ficando em 47%. A rejeição de Flávio também caiu, mas menos: dois pontos, ficando em 52%. Ou seja, Flávio tem uma rejeição maior que a de Lula. Para Lavareda, "esse é o dado mais surpreendente da pesquisa". Na avaliação do cientista político, a onda de aproximação de Lula desde a semana passada torna "plausível", ainda que muito difícil, a ultrapassagem do candidato do PT.
Forte migração de indecisos
Outro ponto importante a destacar na pesquisa da Quaest foi o grande aumento do número de indecisos. O percentual dobrou: de 7% para 14%. E há uma avaliação de que esse dado é reflexo forte do debate da Band no domingo, que pode ter provocado forte decepção de eleitores. O dado, porém, mostra que pode estar havendo uma migração de votos. Resta saber se essa migração aumentará o número de pessoas que não irão votar no domingo ou levará a uma mudança de fato na intenção de voto para os candidatos.
Por que abstenção prejudica Lula
Lavareda considera que a abstenção prejudica mais a Lula por conta do perfil dos que não deverão votar, baseado no que aconteceu no primeiro turno. Essa ausência foi maior entre os eleitores de baixa e entre os idosos com mais de 70 anos, cujo voto não é obrigatório. São justamente estratos do eleitorado onde Lula tem vantagem sobre Flávio. Por isso, a tendência maior de prejuízo para ele.
2014 e 2022
Tradicionalmente, o índice de abstenção no segundo turno é maior que no primeiro. Boa parte das eleições estaduais já está definida - em 20 estados - e isso pode reduzir mobilizações. Desde a redemocratização, houve duas eleições nas quais, porém, a abstenção foi menor no segundo turno do que no primeiro: em 2014 e 2022.
Reflexos
Nos dois casos, essa redução da abstenção produziu seus reflexos. Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, é preciso avaliar todo o universo que ele chama de "alienação eleitoral", que soma eleitores que não vão votar a quem vota nulo e em branco. Em 2014 e 2022, a redução fez com que o resultado final fosse diferente das pesquisas.
Prova de vida
Nos dois casos, as reduções beneficiaram os "incumbentes", ou seja, aqueles que disputam no cargo. Tanto em 2014 como em 2022, as pesquisas apontavam desvantagem dos presidentes. Em 2022, Jair Bolsonaro, para reduzir a abstenção, tornou o voto "prova de vida" para beneficiários da Presidência. A prova de vida continua agora.
Bolsonaro não passou
Em 2022, Bolsonaro não conseguiu ultrapassar Lula. Mas conseguiu reduzir significativamente a sua vantagem. O segundo turno naquele ano foi no dia 30 de outubro. Quaest do dia 26 mostrava Lula com 53% e Bolsonaro com 47%. Ao final, Lula obteve 50,9% dos votos no segundo turno contra 49,1% dados a Bolsonaro.
Dilma passou
Em 2014, a situação foi outra. A redução da abstenção foi maior. Na última pesquisa Datafolha daquele ano, o candidato do PSDB, Aécio Neves, tinha 51% das intenções de voto. A então presidente Dilma Rousseff, do PT, aparecia com 49%. Ao final, Dilma Rousseff venceu as eleições com 51,64%. Aécio teve 48,36%.
Medo
Há ainda um outro dado da Quaest a ser considerado: qual dos dois candidatos mete mais "medo" no eleitor. A pesquisa mostrou um empate, mas desfavorável a Flávio. Para 44%, é maior o medo do retorno dos Bolsonaros que o medo da continuidade de Lula, anotado por 42%. A última vez em que assim aparecia foi em agosto.
Menu