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Breve resumo do rolo Master, a partir dos documentos

Breve resumo do rolo Master, a partir dos documentos
Logo do Master remete a uma pirâmide Crédito: Divulgação/Banco Master

A poucas horas do embate do século no octógono do Supremo Tribunal Federal (STF) - se, é claro, por alguma razão não acabar de novo sendo adiado -, vale relembrar um pouco de tudo o que se sabe sobre esse megaescândalo do Banco Master. Controvérsias à parte sobre se o ministro André Mendonça liberou ou não toda a documentação a respeito do que está sendo investigado, os milhares de arquivos reunidos em 15 processos, de 15 pastas somando mais de 25 gigabytes de informações ajudam a contar bem a história de algo que já nem mais pode ser chamado de maior escândalo financeiro da história. Tornou-se mais do que isso. Uma trama que envolve autoridades de todos os três poderes da República, na União, nos estados e nos municípios. O maior ataque patrimonialista da história do país necessitava de aliados em diversos níveis. E é essa a história que os documentos contam.


Tudo começa num esquema de pirâmide

Tudo começa num esquema de pirâmide
Financiamento de Dark Horse está na PET 15.556 Crédito: Divulgação

Tudo começa com Daniel Vorcaro montando a partir do Banco Master um grande esquema de pirâmide. Vorcaro captava recursos a partir da emissão de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com uma rentabilidade muito acima do mercado, pagando de 130% a 140% o valor do Certificado de Depósito Interbancário. Isso significa que cada título rendia de 30% a 40% acima do valor investido. Como em qualquer esquema de pirâmide, o dinheiro novo que entrava pagava a rentabilidade do que vencia.

Ajuda do amigo Ciro Nogueira

Quando a coisa estourasse, Vorcaro contava com a ajuda do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Vem daí o primeiro ponto importante: a emenda tentada pelo amigo presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), aumentando o valor de cobertura do FGC para R$ 1 milhão. Ou seja, se a pirâmide quebrasse, a emenda garantiria o retorno de todo mundo que tivesse investido até esse valor. Nesse ponto, era importante Vorcaro ter também outros amigos no Senado. Quem sabe investindo na cinebiografia do pai de um deles, o filme Dark Horse.

Outro caminho: vender antes de quebrar

Outro caminho possível era Vorcaro passar o banco adiante antes que quebrasse. E é esse o detalhamento que está nos 1.040 arquivos da PET 15.198, peça central da Operação Compliance Zero, que apura os eventuais crimes cometidos no processo de venda do Master para o Banco de Brasília (BRB). A investigação aponta para a criação de diversos créditos falsos para engordar o valor da carteira negociada com o BRB.

Bahia

Os documentos da PET 15.198 apontam também para as origens desses créditos falsos. Boa parte, como mostrou o Correio da Manhã, originados a partir de professores da rede de ensino da Bahia. Esse esquema foi levado para o Master por Augusto Lima que, antes de se tornar sócio de Vorcaro, comprou do governo da Bahia o CredCesta.

Wagner

É dentro dessa PET 15.198 que está a investigação que gerou uma operação contra o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner. O senador tem relações com Augusto Lima. Um dos pontos que se apura é se o governo da Bahia ajudou ou pelo menos tinha conhecimento da criação dos consignados fantasmas do CredCesta descobertos.

Moraes e Mendonça

O ponto central do pugilato verbal envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, porém, está na PET 16.662. É nela que estão os dados do celular de Vorcaro que comprometem Alexandre de Moraes. As conversas às vésperas da prisão e o contrato com o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci.

Monitoramento

É aí que estão também os relatórios de inteligência da Polícia Federal que são motivo das reclamações de André Mendonça de que estaria sendo monitorado de maneira irregular. Esse é o ponto que fez Mendonça pedir o afastamento do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, decisão depois revertida pelo ministro Flávio Dino.

Dark Horse

Na PET 15.556, está a documentação referente aos recursos para Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A PF afirma que Flávio Bolsonaro atuava como "interlocutor direto" com Vorcaro para tratar do dinheiro do filme. Flávio pediu R$ 134 milhões, recebeu cerca de R$ 61 milhões. Também se investiga o deputado Mário Frias (PL-SP).

Porta do céu

Os recursos foram repassados para um fundo nos Estados Unidos, Havengate, que curiosamente quer dizer "Portão do céu", administrado pelo advogado Paulo Calixto, amigo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA. A PF investiga se esse dinheiro foi mesmo usado na sua totalidade para financiar o filme ou para outros fins.