cORREIO político

Pela direita, Caiado repete Ciro de 2018 com voto útil

Pela direita, Caiado repete Ciro de 2018 com voto útil
Caiado pede voto útil nele para derrotar Lula Crédito: Divulgação/PSD

Na semana passada, pesquisa Real Time Big Data deu algum alento ao candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, ao colocá-lo à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, embora dentro da margem de erro: 44% a 43%. Para vir a esboçar isso, no entanto, Caiado tem um grande problema anterior: ele precisa chegar no segundo turno. Caiado começa, então a ensaiar um discurso de "voto útil": a direita devia votar nele, e não no candidato do PL, Flávio Bolsonaro, porque ele seria alguém com maior possibilidade de vencer Lula no segundo turno. Caiado repete, assim, o discurso e a estratégia utilizada por Ciro Gomes, então no PDT, na disputa presidencial de 2018 contra Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, do PT. Como sabemos, essa estratégia não deu resultado para Ciro naquela eleição. E de alguma forma pode ter ajudado Bolsonaro na sua vitória.

 

Opções de esquerda começaram a se atacar

Opções de esquerda começaram a se atacar
Ciro pregou voto útil em 2018 para derrotar Bolsonaro Crédito: Marcelo Casal - Agência Brasil

Em 2018, quando pesquisas começaram a apontar para a hipótese de Ciro talvez agregar mais votos que Haddad num eventual segundo turno contra Bolsonaro, a ideia do voto útil foi cogitada. E ela acabou fazendo com que os eleitores de cada uma dessas opções - Ciro e Haddad - começassem a se atacar em vez de se unirem no combate a Bolsonaro. Alguns perfis que se iniciaram unidos foram o exemplo claro disso. Como o grupo Mulheres contra Bolsonaro.

Ciro viajou para Paris e não apoiou ninguém

No início, o grupo tinha como foco explorar o aspecto machista do então candidato do PSL - meso aspecto que hoje tem a candidatura de Flávio Bolsonaro. À medida que a eleição avançou, eleitoras de Ciro e de Haddad, no entanto, começaram mais a discutir no grupo que se unirem contra Bolsonaro. O mesmo tipo de comportamento foi se disseminando entre os eleitores. Ao final, Ciro, mercurial como sempre, embarcou para Paris no segundo turno e não deu apoio nem a Haddad nem a Bolsonaro, que acabou vencendo.

Ciro afastou‑se da esquerda

No caminho a seguir, Ciro afastou-se da esquerda. Deixou o PDT, que agora apoia a reeleição de Lula. Voltou para o PSDB, e sai agora candidato a governador do Ceará com o apoio do PL de Flávio. É improvável que Caiado faça um caminho no sentido contrário. Afinal, ele meio ocupa o posto de político de direita mais antigo do país. Mas a estratégia de voto útil pode ter o efeito oposto de dividir eleitores de direita.

Agro

A ideia do voto útil em Caiado no momento cresce especialmente no interior de São Paulo, entre eleitores ligados ao agronegócio, grupo com quem o ex-governador de Goiás tem mais proximidade. Pesa no caso também a ação do vice de Caiado, Gilberto Kassab, presidente do PSD, que tem bom transito com o setor no estado.

Não confirmaram

A ideia se dissemina também no eleitorado do agro que Caiado já tinha mais aproximação, na região Centro-Oeste, especialmente no estado que ele governou, Goiás. O problema para Caiado com relação a essa estratégia é que outras pesquisas não confirmaram a Real Time Big Data. Caiado ou empatou ou perdeu para Lula no segundo turno.

32 pontos atrás

Na pesquisa Atlas/Bloomberg que foi divulgada nesta quarta-feira, Caiado está 32,7 pontos percentuais atrás de Flávio Bolsonaro no cenário estimulado de primeiro turno. O candidato do PL tem 35,8%, e ele aparece com 3,1%, atrás de Renan Santos (Missão), com 7,8%. Lula lidera o primeiro turno com 44,9%. Caiado está 41,8 pontos atrás.

2o turno

Pelo menos nessa Atlas/Bloomberg, a ideia de que Caiado é alguém com potencial maior de vencer Lula no segundo turno não se verificou. Nesse levantamento, Caiado aparece com performance até pior que a de Romeu Zema, o candidato do Novo. E Flávio é quem aparece com o melhor desempenho contra Lula no segundo turno.

Flávio

Contra Flávio, Lula teria no segundo turno 49,2%. Flávio ficaria com 42,9%. No caso, Lula subiu um pouco com relação à rodada anterior, quando tinha 48,8%. Mas Flávio Bolsonaro subiu também. Antes tinha 42,3%. Ou seja, Flávio vai demonstrando uma resiliência. Embora não vença Lula, segue bem à frente dos demais como adversário.

Se unem?

Na simulação com Caiado, Lula aparece no segundo turno com 48,2%, percentual menor do que com Flávio. Em contrapartida, Caiado fica somente com 38,9%. Contra Zema, Lula tem 48,6%. E Zema aparece 39,6%. O problema para Lula é que todos os seus principais adversários são de direita. Mas, se eles brigarem forte, será que se unem depois?