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Master e Digimais: além de aumentar juros, onde estava o BC?

Master e Digimais: além de aumentar juros, onde estava o BC?
Esquemas do Digimais iguais ao Master Crédito: Divulgação

Como já contamos no Correio Político, de forma resumida eram dois os esquemas irregulares do Banco Master: a criação de uma espécie de pirâmide financeira a partir da oferta de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com rentabilidade fora da realidade e o uso de consignados fantasmas para engordar com dados falsos a sua carteira de crédito. A Operação policial que na terça-feira (23) pegou o Digimais, o banco ligado à Igreja Universal e ao bispo Edir Macedo, impressiona por mostrar a mesma coisa. Da mesma forma, esses eram os esquemas do Digimais. Também fazia pirâmide com CDBs e também engordava sua carteira com créditos falsos. Para o cientista político André Cesar, a descoberta das mesmas falcatruas nos dois bancos aponta: "Vivemos um risco sistêmico".

 

Leniência lembra Marka‑FonteCindam

Leniência lembra Marka‑FonteCindam
Galípolo bateu boca com Renan na CAE Crédito: Lula Marques/Agência Brasil.

Risco sistêmico é quando um evento pontual desencadeia um efeito dominó capaz de comprometer todo o sistema financeiro. Em 1999, André Cesar acompanhou de perto a CPI dos Bancos. E o cientista político enxerga muita semelhança entre o que acontece agora e o que aconteceu na época com o Bancos Marka e FonteCindam.

Vista grossa

Na maxidesvalorização do real, para ajudar os dois bancos, o Banco Central vendeu dólares a preços defasados para evitar que as instituições falissem. Até então, era o maior escândalo financeiro do país. Agora, há uma impressão de que, no mínimo, o Banco Central fez vista grossa para operações atuando para além do limite da responsabilidade. E, mais do que isso, há desconfiança de que teria também atuado para ajudar os bancos.

Esforço para ajudar

Uma troca de documentos entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União (TCU) vai nessa linha. O BC acompanhava as dificuldades do Master. "Nessas circunstâncias, o Banco Central determinou a adoção de providências com vistas a assegurar a liquidez em níveis suficientes e adequados", diz um dos documentos trocados após questionamentos do TCU.

Sofisticado?

"O país se vangloria de ter um sistema financeiro sofisticado, de ter o Pix, por exemplo. Mas qual o valor disso se não houver fiscalização nenhuma?", questiona André Cesar. Se bancos e fintechs trabalham numa faixa irresponsável e, pior do que isso, se usam das ferramentas que possuem para lavar dinheiro sabe-se lá para quem.

Menores

O problema que assusta, por exemplo, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado é que Master e Digimais são dois bancos menores. O Master representava 0,5% do mercado financeiro brasileiro. Era classificado pelo Banco Central na categoria B3, para médio porte.

Rede

Então, o dono de um banco menor, Daniel Vorcaro consegue criar em torno de si a rede de relacionamentos que criou. Em todos os três poderes. Do candidato de oposição à Presidência, Flávio Bolsonaro, ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner. A pergunta: o que acontece nos bancos maiores?

"Teje preso"

André Cesar retorna a um episódio da CPI dos Bancos, quando a então senadora Heloisa Helena, então no PT de Alagoas, gritou no meio do plenário da comissão para o então presidente do Banco Central, Chico Lopes: "Teje preso!" Chico Lopes tinha se recusado a depor como testemunha.

Sem CPI

Agora, não há CPI do Master. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sentou-se em cima dos pedidos de comissão mista. Curiosamente, um deles tem como autora justamente Heloisa Helena, que até há pouco estava como deputada.

Bate‑boca

Mas já houve um bate-boca na CAE entre o presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, quando Renan cobrou a atitude do BC na negociação do Master com o BRB. Galípolo defendeu a instituição.