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E se Lula empurrar custo de vida para Flávio?

E se Lula empurrar custo de vida para Flávio?
Flávio Bolsonaro com Donald Trump no Salão Oval Crédito: Reprodução / Redes sociais

O cientista político Benedito Tadeu Cesar, professor aposentado da Universidade do Rio Grande do Sul (URGS), observa que o entrevero com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reúne ao mesmo tempo os dois temas principais do debate eleitoral brasileiro: segurança pública e aumento do custo de vida. Trump recebeu o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), no Salão Oval da Casa Branca. Dois dias depois, classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Se tivesse parado aí, considera Tadeu Cesar, talvez fosse um tento importante para Flávio. Mas uma semana depois, Trump ameaça o Brasil com um novo tarifaço de 25% por razões diversas, inclusive o Pix.

 

Terrorismo tinha apelo para eleitorado

Para o cientista político, mesmo com os riscos quanto à soberania brasileira, a classificação de terrorismo para as facções tem apelo sobre o eleitorado de direita que Flávio almeja, especialmente com relação às camadas mais pobres, que mais diretamente convivem com o crime organizado. Os riscos estão relacionados a possíveis efeitos sobre empresas brasileiras, imigrantes nos EUA, etc. A nova sobretaxação, porém, traz novo prejuízo.

Tarifaço 2 traz prejuízo igual

Tarifaço 2 traz prejuízo igual
Ascensão de Caiado viraria novo desafio para Lula Crédito: CM

O tarifaço 2 ameaçado agora por Trump tem o mesmo potencial de prejuízo do primeiro. Naquela ocasião, o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, alardeava que a sobretaxação era consequência das conversas que teve com o governo dos EUA. Ao comemorar com vigor algo que impactava a economia brasileira, Eduardo viu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançar seus melhores momentos de popularidade. Depois, Flávio encostou em Lula na corrida eleitoral, mas agora começa de novo a perder terreno.

Pix ganhou o gosto nacional

O Pix foi implementado no país quando o pai de Flávio, Jair Bolsonaro, era presidente. Trump agora ameaça uma conquista que o país abraçou. Segundo dados do Banco Central, 93% da população usa o sistema. O Brasil tornou-se o segundo país do mundo em volume de transações instantâneas, perdendo somente para a Índia. O Pix movimentou R$ 35,4 trilhões no ano passado.

Calo de Lula

Tadeu Cesar observa que a sensação de aumento no custo de vida é hoje o grande calo enfrentado por Lula. Essa sensação vem do alto endividamento das famílias, com as taxas de juros. Se o tarifaço, porém, impactar nos preços e aumentar a inflação, Lula poderá empurrar para Flávio a conta do custo de vida.

Apelo

Flávio sabe do risco que a situação produziu. Tanto que se apressou em escrever uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pedindo que o país não sobretaxe o Brasil. Lula também sabe da oportunidade. Tanto que envolveu Flávio diretamente na decisão tomada pelos Estados Unidos.

Pesquisa

Para Tadeu Cesar, o novo fato complica o que já não era fácil para Flávio. A pesquisa Real Time Big Data divulgada na segunda (1o) já mostrava que o encontro com Trump não reduzira a queda do candidato do PL nas pesquisas. Ele, porém, observa que isso pode não ser necessariamente um trunfo para Lula.

Caiado

No caso, Benedito Tadeu Cesar observa o início de uma transferência de votos à direita para o candidato do PSD, Ronaldo Caiado. Na simulação de segundo turno, ele aparece em rigoroso empate com Lula, 43% a 43%. Lula também empata na margem de erro com o candidato do Novo, Romeu Zema, mas é Caiado quem pode assustar.

PSD

Caiado tem a seu favor, observa o professor, o fato de ser candidato pelo PSD, hoje um dos maiores partidos do país. Comandado por Gilberto Kassab, que se esforça para ser o suprassumo do centro político. Para Tadeu Cesar, se ele cresce, tem potencial tração para levar consigo o voto moderado.

Complica

O cientista político pondera que Caiado segue precisando conseguir chegar ao segundo turno. No quadro estimulado, ele só tem 6%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 31%. Mas a novidade da pesquisa não pode ser ignorada. A soma das suas próprias características com as do PSD pode ser para Lula um desafio novo.