A defesa de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, ex-auxiliar do banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou ao STF que o uso de tornozeleira eletrônica tem dificultado sua recolocação no mercado de trabalho. Investigada na Operação Compliance Zero, ela alega estar sem renda desde fevereiro e já ter se candidatado a mais de 100 vagas de emprego, sem sucesso.
De acordo com petição apresentada nesta quinta-feira (8), a investigada procura emprego na área de administração financeira, mas enfrenta dificuldades devido às medidas cautelares impostas em março. Além de limitar seus deslocamentos, a tornozeleira a expõe a constrangimentos durante entrevistas presenciais.
Os advogados pedem que o monitoramento eletrônico seja substituído pelo comparecimento mensal à Justiça, em Belo Horizonte. Também solicitam autorização para que Ana Cláudia possa circular pelo território nacional ou, ao menos, pelo estado de Minas Gerais.
A defesa argumenta que o equipamento provoca preconceito e antecipa socialmente uma culpa que ainda não foi reconhecida pela Justiça.
"Nas entrevistas presenciais, em eventual futuro ambiente de trabalho e na vida cotidiana, expõe a Peticionária a um julgamento que antecipa, socialmente, uma culpa que nenhum juízo reconheceu", diz um trecho do documento ao qual a coluna teve acesso.
Segundo o texto, Ana Cláudia participou de entrevistas de emprego nos dias 1º e 24 de setembro, mas ainda não conseguiu uma nova ocupação. A proibição de deixar Belo Horizonte também a impede de disputar vagas presenciais em municípios próximos, como Nova Lima, Contagem e Betim.
A investigada afirma ainda que precisou abandonar atividades físicas, como pilates, musculação e corrida de rua, devido à exposição do equipamento e às limitações de movimento.
Vorcaro mandava e Zettel autorizava pagamentos
Na petição, a defesa sustenta que Ana Cláudia não tinha poder de decisão sobre as movimentações financeiras investigadas pela Polícia Federal. Segundo os advogados, ela atuava na administração de contas a pagar, executando transferências previamente autorizadas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
"Vorcaro determinava, Zettel autorizava e ela executava", afirma a defesa ao descrever a hierarquia investigada.
Além da retirada da tornozeleira e da flexibilização das restrições de deslocamento, os advogados pedem autorização para que Ana Cláudia renuncie ao cargo de diretora da Super, cujas atividades estão suspensas por determinação judicial.
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