O Ministério Público Eleitoral (MPE) investiga o deputado federal Lindbergh Farias (PT) por suspeita de ter recebido R$ 3 milhões não declarados à Justiça para financiar sua campanha ao governo do Rio de Janeiro em 2014. O inquérito, que apura possível caixa dois eleitoral, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última quinta-feira (13/8).
A defesa de Lindbergh nega irregularidades e destaca que a própria Polícia Federal (PF), após analisar cerca de 2,8 mil páginas da prestação de contas da campanha, afirmou não ter encontrado, nesses documentos, indícios de falsidade ideológica eleitoral ou do uso de recursos de origem ilícita. “Só esse laudo seria razão de arquivamento”, afirmaram os advogados. A conclusão da PF sobre a análise documental consta dos autos.
A investigação tem como origem a suspeita de que o empresário Miguel Iskin tenha repassado os R$ 3 milhões à campanha em busca de vantagens futuras. Além de falsidade ideológica eleitoral, o procedimento também passou a apurar possíveis crimes de corrupção ativa e passiva.
Segundo documento do MPE, a apuração decorre da ausência de declaração à Justiça Eleitoral da suposta doação de R$ 3 milhões, que teria sido destinada ao pagamento de despesas eleitorais da campanha.
A suspeita surgiu a partir do Anexo 15 do acordo de colaboração premiada de Marco Antônio Guimarães Duarte de Almeida. Segundo o colaborador, o dinheiro teria sido repassado com o objetivo de garantir “condições privilegiadas” à empresa Oscar Iskin e parceiros em contratos com o Estado do Rio de Janeiro caso Lindbergh fosse eleito.
O colaborador afirmou ainda que nunca teve contato direto com Lindbergh e que os supostos repasses teriam sido operacionalizados por Miguel Iskin e Gustavo Estellita, por meio da empresa Oscar Iskin. Segundo o relato, os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro em espécie e entregues a um interlocutor do candidato conhecido como “Totó”.
Miguel Iskin negou as acusações. Em depoimento à PF, afirmou que as declarações do colaborador eram “falsas, lacunosas e imprecisas”, além de não estarem acompanhadas de provas.
Apesar de não ter identificado indícios de irregularidades na análise das 2,8 mil páginas da prestação de contas, a PF determinou outras diligências. Entre elas estavam a oitiva de Lindbergh e uma consulta ao Coaf sobre a existência de transações suspeitas em nome do parlamentar entre 2014 e 2018.
O MPE também se manifestou favoravelmente à quebra dos sigilos fiscal e bancário de Lindbergh, por considerar a medida necessária ao aprofundamento da investigação. Um dos objetivos era verificar se os valores supostamente não declarados na campanha teriam sido incorporados ao patrimônio do parlamentar.
O caso chegou ao STF após a Justiça Eleitoral considerar que os fatos investigados teriam ocorrido no período em que Lindbergh exercia mandato de senador e em razão das funções. A decisão seguiu o entendimento do Supremo de que o foro por prerrogativa de função permanece para crimes relacionados ao cargo mesmo depois do término do mandato.
A defesa questionou o andamento do caso. Segundo os advogados, Lindbergh não foi citado nem intimado no inquérito até hoje. “Uma tramitação quase secreta e que renasce e se movimenta em período eleitoral”, afirmou.
Os advogados ressaltaram ainda que a decisão de remeter o inquérito ao Supremo foi tomada em setembro de 2025, mas os autos só foram enviados em 13 de agosto de 2026, já durante o período eleitoral.
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