Alexandre de Moraes

EUA apura liberdade de imprensa no Brasil após ofensiva de Moraes

EUA apura liberdade de imprensa no Brasil após ofensiva de Moraes
Alexandre de Moraes determinou operação da Polícia Federal contra jornalista Crédito: Gustavo Moreno/STF

Os Estados Unidos passaram a monitorar a atuação do ministro Alexandre de Moraes (STF) após a ofensiva contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida. O profissional de imprensa publicou reportagens sobre o suposto uso de um veículo oficial por parentes do ministro Flávio Dino no Maranhão.

Interlocutores em Washington ouvidos pela coluna classificaram a investigação aberta por Moraes como uma violação à liberdade de imprensa. A avaliação não se restringe a aliados políticos do presidente Donald Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio. A percepção é compartilhada também por diplomatas de carreira norte-americanos, inclusive integrantes que ocuparam postos de destaque durante o governo do democrata Joe Biden.

O entendimento entre esses interlocutores é de que autoridades que se considerem caluniadas ou difamadas por uma reportagem podem recorrer à Justiça contra o jornalista e buscar uma eventual indenização.

Na avaliação feita em Washington, porém, a situação muda de patamar quando uma investigação resulta no envio da Polícia Federal à residência de um profissional de imprensa para apreender aparelhos eletrônicos e buscar a identificação da fonte responsável pelo repasse das informações.

Foi o que ocorreu no caso de Luís Pablo. Por determinação de Moraes, a PF apreendeu equipamentos eletrônicos do jornalista no âmbito da investigação relacionada às informações publicadas por ele.

A nova ação policial determinada pelo ministro já é vista na Casa Branca como mais um episódio a integrar a lista de supostos abusos atribuídos ao magistrado por integrantes do governo norte-americano.

A atenção de Washington ao episódio também ocorre em um momento de nova pressão sobre Moraes. A Casa Branca estuda retomar a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF.

A legislação norte-americana permite a imposição de sanções contra estrangeiros acusados pelo governo dos Estados Unidos de envolvimento em graves violações de direitos humanos ou corrupção.