Os Estados Unidos passaram a monitorar a atuação do ministro Alexandre de Moraes (STF) após a ofensiva contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida. O profissional de imprensa publicou reportagens sobre o suposto uso de um veículo oficial por parentes do ministro Flávio Dino no Maranhão.
Interlocutores em Washington ouvidos pela coluna classificaram a investigação aberta por Moraes como uma violação à liberdade de imprensa. A avaliação não se restringe a aliados políticos do presidente Donald Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio. A percepção é compartilhada também por diplomatas de carreira norte-americanos, inclusive integrantes que ocuparam postos de destaque durante o governo do democrata Joe Biden.
O entendimento entre esses interlocutores é de que autoridades que se considerem caluniadas ou difamadas por uma reportagem podem recorrer à Justiça contra o jornalista e buscar uma eventual indenização.
Na avaliação feita em Washington, porém, a situação muda de patamar quando uma investigação resulta no envio da Polícia Federal à residência de um profissional de imprensa para apreender aparelhos eletrônicos e buscar a identificação da fonte responsável pelo repasse das informações.
Foi o que ocorreu no caso de Luís Pablo. Por determinação de Moraes, a PF apreendeu equipamentos eletrônicos do jornalista no âmbito da investigação relacionada às informações publicadas por ele.
A nova ação policial determinada pelo ministro já é vista na Casa Branca como mais um episódio a integrar a lista de supostos abusos atribuídos ao magistrado por integrantes do governo norte-americano.
A atenção de Washington ao episódio também ocorre em um momento de nova pressão sobre Moraes. A Casa Branca estuda retomar a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF.
A legislação norte-americana permite a imposição de sanções contra estrangeiros acusados pelo governo dos Estados Unidos de envolvimento em graves violações de direitos humanos ou corrupção.
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