O ministro Alexandre de Moraes (STF) descobriu a fonte de um jornalista que publicou reportagens contra Flávio Dino após determinar que a Polícia Federal apreendesse os aparelhos eletrônicos do profissional de imprensa.
A coluna apurou com fontes ligadas à investigação que os agentes conseguiram identificar a fonte por meio de conversas mantidas no WhatsApp Web usado pelo jornalista Luís Pablo. Mesmo com a conta do aplicativo desconectada do MacBook no momento da apreensão, a PF conseguiu recuperar o conteúdo com o auxílio de equipamento tecnológico da corporação.
O MacBook e outros aparelhos de Luís Pablo haviam sido apreendidos em março, também por determinação de Moraes. Na ocasião, a medida provocou críticas de entidades ligadas à imprensa.
Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) classificaram como "preocupante" a busca e apreensão e destacaram que o sigilo da fonte é protegido pela Constituição. As entidades afirmaram ainda que medidas que eventualmente violem essa garantia representam um ataque ao livre exercício do jornalismo.
À época, Moraes afirmou na decisão que havia indícios de que Luís Pablo teria acesso a informações sensíveis e estaria monitorando e acompanhando o veículo utilizado por Dino. O jornalista negou ter perseguido o ministro e afirmou que realizava trabalho jornalístico.
Fonte identificada
Agora, a fonte identificada a partir da análise dos aparelhos também foi alvo de uma operação. Nesta terça-feira (11), Moraes determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e ex-deputado estadual. A medida foi solicitada pela PF e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a defesa de Cutrim, o mandado relata que a análise dos aparelhos apreendidos do jornalista levou a Polícia Federal a concluir que ele era a fonte das reportagens. O advogado de Luís Pablo também foi alvo de busca e apreensão nesta terça-feira (11).
Cutrim é adversário político de Dino e também já ocupou o cargo de secretário no governo de Carlos Brandão. Segundo sua defesa, os processos relacionados às operações permanecem sob sigilo e os advogados ainda não tiveram acesso integral aos autos.
As reportagens que deram origem ao caso foram publicadas por Luís Pablo e apontavam o suposto uso irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares de Flávio Dino, em São Luís. A investigação contra o jornalista foi aberta após Dino acionar as autoridades por suposta perseguição.
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