Correio da Manhã
CV e PCC

CV e PCC usam programas do governo Lula para aplicar golpes, diz TCU

Facções exploram iniciativas como Desenrola Brasil e Voa Brasil para enganar vítimas com anúncios e sites falsos

CV e PCC usam programas do governo Lula para aplicar golpes, diz TCU
TCU aponta que facções roubam bilhões de reais dos brasileiros com crimes digitas Crédito: Reprodução

Facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) passaram a utilizar programas do governo Lula como isca para aplicar golpes digitais contra brasileiros. A constatação é do Tribunal de Contas da União (TCU), em auditoria que aponta a exploração da imagem de iniciativas federais por organizações criminosas.

Segundo o relatório, um dos principais alvos foi o programa Desenrola Brasil, criado para renegociação de dívidas. A auditoria também cita fraudes envolvendo o Voa Brasil, além de anúncios falsos sobre supostos valores a receber via Pix e serviços do Banco Central. Em todos os casos, criminosos simulavam canais oficiais do governo para roubar dados e dinheiro das vítimas.

De acordo com a auditoria, anúncios falsos sobre o Desenrola circulavam ao menos desde 7 de julho de 2024. Os golpistas utilizavam a identidade visual do governo federal e até peças oficiais de divulgação da Caixa Econômica Federal para dar aparência de legitimidade às fraudes.

Os criminosos prometiam ao cidadão a possibilidade de "limpar o nome" ou consultar sua situação financeira. Para isso, induziam as vítimas a informar dados pessoais em páginas falsas que imitavam os canais oficiais do governo.

O TCU afirma que as fraudes digitais no Brasil deixaram de ser praticadas apenas por criminosos isolados e passaram a integrar as atividades de organizações estruturadas. Segundo o relatório, PCC e CV diversificaram sua atuação para golpes bancários e fraudes digitais envolvendo Pix, WhatsApp e cartões clonados, utilizando principalmente técnicas de engenharia social.

Ao resumir as conclusões da auditoria, a Corte afirma que "a popularidade de programas sociais é utilizada por atacantes como gatilho para aplicar fraudes" e que "os criminosos utilizam identidades visuais, logotipos e nomes de organizações e programas federais legítimos para criar sites, anúncios e mensagens falsas que se assemelham a canais oficiais".

Como resultado da auditoria, o TCU determinou o envio do relatório à Câmara dos Deputados para subsidiar a análise de projetos de lei que preveem regras mais rígidas de identificação de anunciantes em redes sociais. A Corte também decidiu incluir o risco de golpes por personificação governamental na Lista de Alto Risco do tribunal, por entender que a falta de mecanismos robustos de identificação facilita a atuação de criminosos.