O deputado republicano Eric Burlison, membro da força-tarefa da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos responsável pela desclassificação de segredos federais, pediu à CIA e ao FBI que informem ao Congresso se possuem documentos relacionados ao chamado Caso Varginha, ocorrido em janeiro de 1996, em Minas Gerais. O parlamentar também quer saber se ainda existe justificativa legal para manter eventuais registros sob sigilo.
Os pedidos foram formalizados em cartas enviadas aos diretores da CIA, John Ratcliffe, e do FBI, Kash Patel. Segundo Burlison, o objetivo não é confirmar qualquer alegação pública sobre o caso, mas verificar se o governo americano possui registros, relatórios, documentos sobre voos, transferências de materiais, comunicações com autoridades brasileiras ou outros arquivos relacionados ao episódio.
Na justificativa, o congressista cita recentes declarações atribuídas ao ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo sobre o Caso Varginha. Para ele, essas manifestações reforçam a necessidade de o Congresso esclarecer se existem documentos oficiais envolvendo a atuação do governo dos Estados Unidos durante o período.
"Embora as cartas não peçam à CIA ou ao FBI que validem qualquer alegação pública específica, as recentes declarações públicas atribuídas ao ex-ministro da Defesa do Brasil, Aldo Rebelo, sobre o caso Varginha de 1996 ressaltam a necessidade de o Congresso determinar se existem registros do governo dos Estados Unidos, registros de voos, relatórios de cooperação com autoridades brasileiras, documentos de contratados ou registros de transferência de materiais", afirmou Burlison.
Em relação à CIA, Burlison pede que a agência reveja documentos solicitados anteriormente por meio de um pedido com base na Lei de Liberdade de Informação (FOIA). O requerimento buscava informações sobre voos do governo americano, transferência de materiais e eventual coordenação com autoridades brasileiras entre os dias 14 e 28 de janeiro de 1996, incluindo atividades na região de Campinas (SP).
O deputado lembra que, em resposta ao pedido de acesso à informação, a CIA afirmou, em janeiro de 2025, que não confirmaria nem negaria a existência de documentos relacionados ao caso, invocando dispositivos da legislação americana que permitem manter informações classificadas sob sigilo por razões de segurança nacional.
Ao FBI, Burlison solicita que a agência preserve eventuais registros, realize buscas em seus arquivos e informe ao Congresso se possui documentos, relatórios ou informações envolvendo servidores do governo dos Estados Unidos, cidadãos americanos, empresas contratadas pelo governo, aeronaves registradas no país ou qualquer outro interesse federal ligado ao episódio.
Segundo o parlamentar, a intenção é impedir que registros considerados historicamente relevantes permaneçam fora do alcance da fiscalização do Congresso em razão de classificações de sigilo, estruturas contratuais, falhas de indexação ou transferências de custódia entre órgãos do governo.
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