Eleições

Caiado, Zema e Renan Santos: planos diferentes em busca do eleitor de Flávio

Os principais pré-candidatos da chamada "terceira via" tentam avançar sobre o eleitorado conservador

Caiado, Zema e Renan Santos: planos diferentes em busca do eleitor de Flávio
Os principais pré-candidatos da chamada "terceira via" tentam avançar sobre o eleitorado conservador Crédito: Divulgação

Com pesquisas de intenção de voto registrando queda de Flávio Bolsonaro (PL), os principais pré-candidatos da chamada "terceira via" tentam avançar sobre o eleitorado conservador. No entanto, o tom adotado por Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) em relação às tratativas de Flávio com Vorcaro expõe estratégias distintas na disputa pelo voto útil antipetista.

Ronaldo Caiado:

Ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado optou por uma postura pragmática. Embora tenha cobrado explicações públicas de Flávio Bolsonaro sobre o teor das conversas e os valores direcionados ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o goiano calibrou o tom para não queimar pontes com a base bolsonarista mais fiel, de olho em uma composição futura.

Romeu Zema:

Ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema inicialmente reagiu de forma agressiva ao vazamento das mensagens. Buscando o protagonismo na pauta da ética e da austeridade, Zema verbalizou a indignação de parcela da direita moderada.

A ofensiva Zema, contudo, encontrou resistência interna e sofreu uma rápida recalibragem dias depois. Aliados do ex-governador mineiro alertaram que um ataque excessivamente pesado contra o clã Bolsonaro poderia inviabilizar o apoio ou uma aliança com o PL em um eventual segundo turno contra Lula.

Diante do risco de isolamento, Zema recuou no teor das críticas, equilibrando o discurso de moralidade com a necessidade de sobrevivência política diante da polarização nacional.

Renan Santos:

Diferentemente de seus concorrentes, Renan Santos decidiu não fazer concessões e intensificou a estratégia de ataques diretos e contundentes a Flávio Bolsonaro.

A avaliação do grupo político de Renan é que os diálogos do senador com Vorcaro representam um "batom na cueca" definitivo na pré-campanha do zero-um.

 

Valdemar aciona STF contra Ricardo Salles em nova briga na direita

Valdemar aciona STF contra Ricardo Salles em nova briga na direita
Valdemar da Costa Neto aciona STF contra Ricardo Salles Crédito: Reprodução

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, protocolou uma queixa-crime no STF contra o deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro de Jair Bolsonaro. O dirigente moveu a ação após declarações de Salles, em entrevista a um podcast, nas quais o parlamentar afirmou que “a turma do Valdemar roubava” no Ministério dos Transportes e no DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Na representação, Valdemar acusa Salles dos crimes de calúnia e difamação. O dirigente alega que Salles extrapolou os limites da liberdade de expressão ao associar diretamente Valdemar e o PL a práticas de corrupção sem apresentar provas. Os advogados sustentam que as declarações atingiram a honra do presidente do partido. “Agiu com inequívoca intenção de atribuir ao querelante a prática de condutas criminosas e, simultaneamente, macular sua reputação perante a sociedade, o meio político e a opinião pública em geral”.

O trecho da fala de Salles reproduzido na ação diz: “Deixa eu contar uma história para você. Quando o Tarcísio trabalhava com a Dilma, ele entrou no DNIT para fazer uma faxina na corrupção. Quem fazia a corrupção do DNIT no Ministério dos Transportes? O PL do senhor Valdemar. A turma do Valdemar é que roubava no Ministério dos Transportes e no DNIT. O Tarcísio foi lá e fez uma limpa. Tanto que foram vários presos, né”.

Segundo os advogados, o dirigente do PL “nunca sofreu qualquer persecução criminal pelos fatos que lhe foram atribuídos”. A ação também destaca a repercussão da entrevista. “As declarações foram proferidas em meio que facilitou sua divulgação pública e massiva, com veiculação em podcast disponibilizado no YouTube, mídia social com posterior repercussão em veículos de comunicação de alcance nacional”.

A peça também argumenta que a imunidade parlamentar não se aplica ao caso porque as declarações foram dadas em um podcast, fora do exercício direto do mandato. A defesa do dirigente do PL pede condenação criminal e indenização mínima de R$ 20 mil por danos morais.

Além da condenação por calúnia e difamação, os advogados solicitam a aplicação da causa de aumento de pena prevista no artigo 141 do Código Penal, em razão da divulgação das declarações por meio de comunicação social e da internet.

Racha na direita de SP

A crise entre Valdemar Costa Neto e Ricardo Salles expõe um racha na direita paulista em meio à disputa por uma das vagas ao Senado nas eleições de outubro de 2026. O estopim foi a escolha do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado, como nome do PL para a chapa bolsonarista em São Paulo.

A articulação foi conduzida por Valdemar e contou com o aval do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que pode integrar a chapa como suplente. A definição contrariou Ricardo Salles, que também se lançou pré-candidato ao Senado e passou a atacar publicamente o acordo costurado pelo PL.

No desenho eleitoral da direita em São Paulo, o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, aparece como o outro nome consolidado para disputar o Senado ao lado do grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Governo Tarcísio afirma que investigação sobre infiltração do PCC mira gestões anteriores

Governo Tarcísio afirma que investigação sobre infiltração do PCC mira gestões anteriores
Integrantes do Ministério da Justiça afirmam que atrasos no envio de dados por parte da atual gestão estadual têm ocorrido de forma recorrente Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Governo de São Paulo afirmou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na administração estadual trata de episódios anteriores à gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O caso foi revelado pela coluna nesta terça-feira (19/5).

Em nota enviada à reportagem, a assessoria do governo declarou que "a representação do MP junto ao TCU se refere a episódios anteriores à atual gestão, com investigações em curso pela Polícia Civil". Na denúncia analisada pela Corte, contudo, não foram divulgados detalhes sobre quais gestões, órgãos, contratos ou agentes públicos seriam alvo da apuração.

O processo tramita na Unidade de Auditoria Especializada em Defesa Nacional e Segurança Pública do TCU e foi protocolado pelo subprocurador do MP junto à Corte, Lucas Rocha Furtado. O órgão aponta indícios de um "modelo organizado de infiltração" do PCC em estruturas da administração pública paulista.

A representação menciona indícios da existência de "fatos gravíssimos", com "dimensão político-institucional" e possível repercussão nacional e internacional. O processo está sob relatoria do ministro Benjamin Zymler.

Polícia Civil investiga

Procurado pela reportagem, o Governo de São Paulo não informou quais elementos embasam a afirmação de que a representação do MP junto ao TCU trata de fatos ocorridos em gestões anteriores.

O caso ocorre em meio a investigações da Polícia Civil de São Paulo sobre a atuação política da facção criminosa. Em abril, o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula (PSD) foi preso sob suspeita de atuar como articulador do PCC para influenciar prefeituras da Grande São Paulo, cidades do litoral e setores do governo estadual.