O clima de MMA foi a marca do debate na Band. Foi um show (de horrores) em nome da democracia. No mesmo palco onde teve o debate entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas semanas antes e que não faltou o tom respeitoso, inclusive no respeito à liturgia do cargo que estava sendo disputado.
A troca de flechadas foi dos dois lados. Pareceu mais uma discussão de assembleia de disputa de condomínio do que uma eleição presidencial. Pior é a posição de Lula, que como presidente da República, se despiu da faixa presidencial e colaborou para baixar o nível.
Assembleias de condomínio com um síndico sendo acusado de roubar e cometer irregularidades e uma oposição recebendo críticas. Nem parecia que o futuro do país estava em jogo.
O grande erro de Lula foi não ter descido do palanque depois da vitória em 2022. Ele passou os quatro anos atirando na oposição. Fomentou o ódio que explodiu nesta reta final.
Lula começou o debate sem o domínio de palco e resolveu falar para uma câmera secundária. Por várias vezes errou sua posição de palco e no controle do tempo. Estava visivelmente abatido. Nervoso e impaciente. O drama pessoal o deixou com sinais de abatimento de quem teve uma noite mal dormida.
Foi um contraste de visual, com Flávio Bolsonaro sem gravata, impecavelmente vestido, e Lula usando a sua gravata da sorte, com listras verde-amarelas, a mesma que toda a delegação do Brasil usou na eleição do Rio como sede da Olimpíada de 2016. Uma gravata usada por Henrique Meirelles, o governador Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Só que a moda evoluiu e o tamanho das gravatas modernas diminuiu e esse modelo antigo, largo, passa uma ideia de old school.
A agressividade de Lula com os bolsonaristas e com o eleitor da direita não o fez avançar entre os eleitores do opositor. Já Flávio falou diretamente para o eleitor das comunidades, aos mais pobres, ao relembrar que foi Bolsonaro que aumentou o Bolsa Família e que Lula passou dois anos sem reajuste.
O consenso é que o debate bate-boca pode aumentar a abstenção. Não empolgou na parte do Lula, que é o que mais precisa de votos. Já Flávio foi cirúrgico ao falar do descontrole e gastos exagerados do governo.
O ataque de Lula à "malandragem carioca" fez disparar uma série de memes nas redes sociais em repúdio a Lula. Flávio foi cirúrgico ao iniciar o bloco se solidarizando com o eleitor carioca. Anote: este tema vai volatizar nas redes sociais durante a semana. O Rio é fundamental para a recuperação de Lula. Foi um tiro no pé.
Quem melhor definiu o debate foi um conceituado advogado ligado à direita que resumiu: "ninguém até agora tirou voto de ninguém".
O grande vitorioso deste domingo, 18 de outubro, foi a Band e o pool de veículos que a acompanhou. A Rede manteve a tradição dos debates presidenciais e deu um show de organização e jornalismo. Johnny Saad, Fernando Mitre, Rodolfo Schneider, os apresentadores Eduardo Oinegue e Adriana Araújo, e toda a família Band merecem aplausos pelo evento histórico realizado nos seus estúdios no Morumbi, mais uma vez.
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