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'Eu tenho que fazer alguma coisa para ajudar o nosso Estado'

Jornalista Ricardo Bruno entrevista Luciano Mattos, ex-PGJ do Rio e candidato ao Senado

'Eu tenho que fazer alguma coisa para ajudar o nosso Estado'
Entrevista foi realizada nos estúdios do Correio da Manhã do Rio Crédito: Reprodução

O jornalista Ricardo Bruno entrevistou o ex-procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro e candidato ao Senado pelo PRTB, Luciano Mattos, em seu PoderCast, podcast da Agenda do Poder, gravado nos estúdios do Correio da Manhã, no Rio. Durante a conversa, ele falou sobre a decisão de deixar o Ministério Público e ingressar na política, a segurança pública no Estado, o avanço do crime organizado sobre territórios e a necessidade de combater a infiltração de grupos criminosos no ambiente político.

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Luciano Mattos falou sobre a decisão de deixar o Ministério Público e ingressar na política | Foto: Reprodução

Mattos também relembrou sua atuação à frente do MP e defendeu mudanças na estrutura de investigação e prevenção da violência. Confira a seguir:

RICARDO BRUNO: Doutor Luciano, o que o fez sair do Ministério Público e ingressar na política? Esse já era o seu projeto desde sempre?

LUCIANO MATTOS: Eu confesso que quando eu fui presidente da associação e andava muito por Brasília, eu achava muito legal a função lá do deputado, do parlamentar, eu achava muito interessante os debates, você conhecendo pessoas do Brasil inteiro, frequentando temas que você talvez não tenha tido muita afinidade na atuação do Ministério Público, enfim, eu achava interessante aquela discussão, mas na verdade a minha intenção quando me aposentei é que já tinha cumprido a minha missão depois de mais de 30 anos no Ministério Público, presidente da associação com 3 mandatos, procurador-geral de justiça com 2 mandatos e o último ano para coroar aí minha carreira com alegria, trabalhei na Corregedoria Nacional diretamente com o Corregedor Nacional no Conselho Nacional do Ministério Público, onde eu tive outra visão também da instituição, foi enriquecedora essa passagem lá, eu achei que já tinha cumprido a minha missão no Ministério Público e queria, porque estava muito incomodado com a questão da segurança pública no nosso estado, no país notadamente no nosso estado, eu brincava que no meu último ano eu comemorava, embora fosse toda semana e voltasse de segunda a sexta, mas eu passei a integrar um pouco mais, assisti o telejornal de Brasília e aí comecei a reparar que lá assim, furto na Asa Norte, quebraram o vidro do prédio para furtar uma bicicleta, uma briga no bar da Ceilândia e trocaram facadas e tal, e aí chega no Rio de Janeiro, fechada a Linha Vermelha, 150 mortos, derrubaram o helicóptero da polícia, a gente acaba não tendo a percepção exata do ambiente que a gente vive. E eu falei, poxa, eu tenho que fazer alguma coisa para ajudar o nosso estado, então vou advogar, vou ganhar meu dinheiro na advocacia, já sou promotor de justiça aposentado, tenho meus recursos, mas não vou deixar de passar e colocar essa minha experiência, essa minha inquietação para debater esses temas de segurança pública. Comecei a conversar com vários atores, várias personalidades da área de segurança pública e também na área política, eis que me deparo com um ambiente partidário muito contaminado, muito contaminado, muito complexo.

RB: Pois é, como é que você decidiu ingressar no partido político? A pergunta que eu ia fazer é exatamente essa, sabendo, considerando que o senhor, no exercício da profissão, como promotor, como chefe do MP, processou, botou na cadeia, abriu investigações contra muitos dos políticos hoje em atuação no Rio, quer dizer, isso não gerou uma certa preocupação da sua parte?

LM: É claro, e por isso eu fiz a opção, eu tive alguns convites, inclusive para o Senado, com recursos para a campanha, mas poderiam gerar algumas coligações que não me deixariam satisfeitos e eu recusei. E optei por entrar para um partido sem recursos, que estava com brigas internas, e o projeto era, portanto, entrar para reconstruir esse partido e também, ao mesmo tempo, eu não ter essa obrigação de caminhar com pessoas que fizeram parte da minha história negativamente, ou seja, que fizeram parte, ficaram no banco dos réus enquanto eu fui promotor.

RB: E o PRTB nesse momento está, deixou imune a qualquer tipo de contaminação.

LM: Exatamente, como o partido teve muitos problemas, passou a janela partidária e o prazo de filiação sem o sistema do TSE, aliás, foi uma violência cometida contra o partido, mas a verdade é que ninguém, quem tinha mandato, ninguém viria para o PRTB nessas condições. E como eu sou novo na política... O partido está sem recursos do fundo partidário? Só fundo eleitoral, não tem tempo de TV, não tem fundo partidário, só tem o fundo eleitoral mínimo, três milhões e pouco para a candidatura presidencial e três estados. E assim mesmo está lá, porque o Pabllo Marçal se lançou depois, os recursos estão bloqueados, a gente está fazendo uma campanha com pouquíssimos recursos, mas é isso, tentando furar a bolha e tentando apresentar alguma coisa diferente para a população fluminense, carioca, tentando dar a minha contribuição.

RB: A sua candidatura está vinculada, mesmo que não diretamente, mesmo que não seja através de uma coligação, mas o senhor está próximo de algum candidato ao governo do estado, seja ele Eduardo Paes, Douglas Ruas, Garotinho ou qualquer outro?

LM: Não, o partido adotou a independência em relação ao governo do estado na convenção quando nós aprovamos a candidatura, esse tema foi debatido e preferiu não apoiar nenhum dos candidatos que estão aí.

RB: Por que razão o partido não apoia nenhum dos candidatos?

LM: Nenhum candidato preenche, digamos, os requisitos éticos e morais que o senhor julga importante para eventualmente esse candidato exercer a função de governador do Rio? Não, eu não queria personalizar, mas como a gente queria criar um ambiente novo, partidário, não fazia sentido fazer coligação com esses partidos e contaminar a nossa marcha já no início, né? Se a gente optou por não filiar a nenhum partido tradicional com as questões internas deles, por que eu traria para uma disputa eleitoral nesse momento, né? Vamos apresentar um projeto novo, inovador e tentando se desvincular dessas questões partidárias do Rio de Janeiro. Não estou generalizando, tem partido melhor, tem partido pior, mas assim, não caberia a nós, nesse momento, ficar analisando, pô, quem está no partido tal, quem está no partido tal, pô, sei lá, será que lá tem gente ligada ao crime, se não tem? Então a gente fez um processo meio de purificação proposital, não querendo ser mais realista do que eu e melhor do que ninguém, mas na verdade é um projeto, é um projeto, que ali a gente vai ter alguma condição de manter esse controle.

(Continua na próxima edição do Correio da Manhã)