Voltando à lucidez da ministra Cármen Lúcia, ela emociona ao fazer um ato de contrição pública dizendo: “portanto, eu queria, se eu fui omissa, já disse isso ao ministro Alexandre, já disse isso ao ministro André, estou repetindo a vossa Excelência, se eu, como juíza desta casa, devesse ter me conduzido, talvez, com uma postura diferente para poder ter ajudado mais para evitar isso, eu estou pedindo desculpas à vossa Excelência, pedindo desculpas a todos os colegas por não ter ajudado a que a gente superasse tudo isso de uma maneira mais rápida. Eu peço desculpas ao povo brasileiro, por talvez ter esperado de mim uma postura diferente, mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era de tentar resolver e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais.”
Naquele salão, a dignidade da única Dama com toga ministerial se manifesta: "eu peço desculpas ao povo brasileiro”. Na verdade, quem deve desculpas ao povo brasileiro são os protagonistas deste show de horrores, que discutem rituais processuais impensados. Quem imaginaria que um ministro de uma Suprema Corte de um país da importância do Brasil estaria revisando no computador da própria STF um contrato de US$ 26 milhões de dólares do escritório da sua família e estaria sendo acionado - como será apurado em um provável investigação - pelo contratante com medo de ser liquidado ou preso?
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