A sessão de hoje no Supremo foi um circo de horror. Quebra de decoro, quebra de hierarquia, falta de respeito entre os pares, jogo combinado para fazer eclodir um vergonhoso pedido de vistas. Coube a única mulher do colegiado trazer a lucidez e ser a porta-voz do sentimento de vergonha que o país estarrecido assistia.
A ministra e ex-presidente do STF, Cármen Lúcia, não mediu as palavras ao afirmar “eu estou nesta sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Estou triste, não apenas pelo tema que nos traz aqui, que teria sido aquele a ser decidido, mas porque este Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, por determinação nela expressa, provocou, acho, um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias.”
Não há síntese melhor do que constatar que o STF causa um mal-estar cívico ao povo brasileiro. A tropa de choque colocada na corte por Lula, especialmente o seu ministro de bolso,Flávio Dino, quebrou toda a liturgia ao despudoradamente atacar o presidente do Supremo. Ele reduziu a figura, não do colega ministro Edson Fachin, mas da cadeira de presidente do Supremo, a pó. Foi um vandalismo verbal semelhante aos vândalos do oito de janeiro. Faltou com absoluto respeito à presidência da corte, aproveitando da fleuma de homem cordato do atual ocupante para massacrar qualquer ética de cordialidade.
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