A ex-presidente da Caixa e porta-voz da equipe econômica do candidato Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, deu entrevista exclusiva ao jornalista Cláudio Magnavita, publisher do Correio da Manhã. A seguir, você pode conferir a segunda parte do encontro:
Cláudio Magnavita: Um banqueiro com quem a gente tem um relacionamento, aliás, banqueiro que foi grande do seu financeiro, ele esmaga na vida. A pior coisa pra nossa instituição são as agências bancárias. Se a gente fechasse todas as agências bancárias, nós estaríamos com um dos melhores balanços do mundo. Você acha que é certo que o governo continue financiando o sistema financeiro com essa remuneração que tá, cobrindo os déficits e transformando os bancos em privados, no grande financiador dessas loucuras, os desregulamentos da área pública? Como é que você vê essa relação? Você que presidiu o maior banco, a Caixa.
Daniella Marques: Eu acho que o digital, primeiro, ele tem um ganho de produtividade grande pra todo mundo. Então se a dona de casa pode acordar e achar a vaga de creche aqui, e ela tem um bônus de internet, por isso a gente enxerga na internet a infraestrutura do futuro. Porque se o governo usa o dinheiro de um fundo público que já existe para promover a inclusão digital, e ao invés dela pegar dois anos para chegar numa agência do CRAS ou numa prefeitura para buscar uma vaga de creche, né, ou uma fonoaudióloga, uma mãe atípica, se ela consegue achar isso na palma da mão, isso é eficiência para o governo e eficiência para ela. E aí você tem a realidade do que são as cidades metropolitanas e o que é o Brasil. O Brasil é um país continental, né? E eu viajei o Brasil inteiro como presidente da Caixa, quando você vai para Novo Airão, você tem uma agência da Caixa lá porque é um negócio muito importante para aqueles moradores de lá e é o que faz circular aquela economia de lá. Então você tem uma diferença aí nessa eficiência. Você tem uma diferença entre o que são as regiões metropolitanas, né, onde uma mulher da favela aqui em São Paulo, ela tem um grau de instrução já e vulnerabilidade, e ela já está muito mais digitalizada do que uma mulher lá em Marajó, né? Então o governo tem que reconhecer essas realidades. Um banco privado vai fazer o que é eficiente para ele.
CM: E para os seus acionistas.
DM: E para os seus acionistas. Só que hoje, quando você é rentista, se está emprestando a juro de 14%, a juro de 7% e tal, a máquina está girando. Só que agora a criticidade da situação foi tão grande, de inadimplência, que o balanço dos bancos vai colapsar também. Então você vê que essa rodada de resultados, a inadimplência de cartão do Banco do Brasil dobrou em três meses. Então o Santander já fez um prognóstico ruim, o Bradesco teve que fazer uma mega capitalização. Então a roda ali gira até um nível em que ainda as famílias e as empresas começam a pagar. Quando você tem R$ 200 bilhões de dívida arrebentando, vai colapsar o balanço dos bancos também. Então, eu falo que a água subiu e bateu porque, enquanto tá administrável, é 60 de dívida PIB, é 68, o juro é 10% a 14%. Agora, a hora que desancora, você perde a âncora e fica aí no mar revolto, é esse momento. Esse momento que a gente tá agora, e pra finalizar, assim, antes você colocava o sistema financeiro contra a população, o empresário contra o empreendedor. Agora, quando o empresário tá quebrado junto, assim, e tá arrebentando todo mundo no balanço dos bancos, gerando desemprego, manda 3 mil pessoas embora, aí você vem na Justiça e manda dar uma canetada pra Casas Bahia recontratar? Você acaba de afugentar. Por isso que a gente tá exportando as empresas pro Paraguai. Os caras falam: está insano esse país. Então, eu acho que agora perdeu a mão geral, assim.
CM: Agora, Dani, tem um aspecto que você colocou. As pessoas estão colocando muito em passar, e essa paternidade ao Bolsonaro não é dada, que é a questão do Pix. Eu cheguei agora aqui, quando eu soltei do táxi, o rapaz disse: O senhor quer pagar? Pode pagar com Pix. Quer dizer, aquilo entra na nossa naturalidade e foi uma conquista da sua equipe. O Pix é uma realização da gestão Paulo Guedes. Você acha que o brasileiro entende, compreende a importância que foi você fazer inclusão bancária através de uma ferramenta de milhões de brasileiros que passaram a poder utilizar uma ferramenta?
DM: Isso foi uma agenda de inovação do Banco Central, apoiada pelo presidente Bolsonaro. O Roberto Campos ganhou quatro vezes o melhor presidente de Banco Central do mundo. Eu estava no evento do Palácio, até outro dia postei, né, antes que esqueçam, uma live que eu fiz com o presidente Bolsonaro e a gente falando.: o pessoal dos bancos não tá triste, porque tirou R$ 10 bilhões de tarifa dos bancos. Democratizando, só que agora no governo do Flávio, a gente quer ir pro próximo passo. O que é o próximo passo? Então o Pix virou uma conquista nacional. O cara vende morango no sinal, você paga com Pix, a manicure com Pix. Você vai num turismo lá, eu fui em Manaus, numa barraquinha indígena. A indígena te vende um arco e flecha com Pix. Então isso democratizou. Como é que você continua esse caminho? Justamente, a gente está colocando um programa Minha Primeira Empresa, que é o quê? Registro automático, só paga o imposto daqui a 12 meses, a Caixa vai te dar a maquininha pra você passar o cartão, vai te dar uma conta de PJ. Então hoje, essa conquista que foi feita e ainda está no informal, a gente trazer isso pro mesmo estágio do cara abrir o negócio dele, dar dignidade ao empreendedor, e não ter que ter tarifa de Pix no PJ, a Caixa tem que dar a maquininha. Então, quando a gente fala que a Caixa vai ser o banco da prosperidade, é ela ser o motor desse cara e a gente continuar esse passo e ir além do Pix, de dar um sisteminha pra ele emitir a nota fiscal dele, dar a maquininha pra ele passar, ajuda a formalizar. Então é esse tipo de estrutura pra acelerar. O brasileiro já tem essa vocação empreendedora, né? Ele quer ter seu negócio, ele quer entregar no aplicativo, ele quer montar, fazer sua lojinha de bolo. Então ele já tem, eu fiz uma pesquisa na época, mais de 70% dos beneficiários do Bolsa Família tinham algum tipo de renda informal. Vamos manter o Bolsa Família? Vamos, sagrado, conquista. Política de Estado que funciona é pra ser preservada e aprimorada. Mas vamos agora nos orgulhar de quantas famílias cresceram, montaram seu negócio, prosperaram, começou a comprar um carro, começou a comprar geladeira. Então é esse, a continuidade do Pix é justamente a gente dar esse motor de oportunidade para as pessoas.
CM: Você falou em Banco Central, quase termina a entrevista sem lhe perguntar. Eu dei uma nota, até fiz um comentário que bombou na internet, falando de uma relação civilizada com o Gabriel Galípolo. que vai ser presidente do Banco Central até dia 31 de dezembro de 2028, bem diferente das agruras que o Campos Neto enfrentou. Como é que você vê o presidente do Banco Central?
DM: Eu tenho respeito enorme por ele. Acho que manteve... essa independência foi um avanço institucional importante para manter a estabilidade econômica agora, senão já tinha desencorado. As decisões são pautadas pela técnica, são transparentes tecnicamente, né, por quê? E justamente o Banco Central está sozinho hoje com esse juro tão alto porque o governo não está fazendo o trabalho dele no controle das contas. E se o Banco Central baixar os juros na marretada, como alguns querem fazer, o que dispara é a inflação, e o pobre sabe. Não tem imposto maior para pobre do que a inflação. Então, economia é uma ciência, não é ideologia. Então eu acho que ele conseguiu, apesar de ter sido instigado a fugir da atuação técnica, eu tenho um respeito enorme, e isso é importante institucionalmente para o Brasil, que ele tenha uma atuação pautada na técnica, e assim será.
CM: A relação civilizada chegando à liberdade e, sobretudo, à autonomia do Banco Central. Eu queria lhe agradecer muito a entrevista. Eu acho que nós temos um elo comum, que é o fato de o Correio da Manhã ter o Correio Sul Fluminense, você é de Barra Mansa. Eu queria falar, vou falar do livro, mas eu queria que você falasse da mulher. Eu queria que você falasse da mulher, da garotinha de Barra Mansa, que hoje tem a chance de ter essa atuação nacional. Eu gostaria muito de mergulhar agora nessa imagem da garotinha que sai de 11 anos de idade... Aliás, a idade do seu filho, você sai de Barra Mansa praticamente com a mesma idade do seu filho. Me fala um pouco dessa visão sua como garotinha de Barra Mansa, em olhar, estar aqui sentado dando uma entrevista, falando para o Brasil, com a responsabilidade que sai de... gerir e colocar novamente em prática tudo o que foi feito nos últimos quatro anos do governo Bolsonaro. Eu queria essa visão sua, principalmente nesse olhar do sul-fluminense, porque Barra Mansa tem uma cultura muito especial, porque Volta Redonda e Barra Mansa, a identidade... Dá orgulho pro Rio, né? Pro interior do Rio ver um munícipe conhecer a projeção e essa responsabilidade histórica.
DM: O que eu posso dizer para as mulheres, principalmente, é assim: a sua origem não determina o seu destino, né? Sonhar pequeno, sonhar grande tem o mesmo custo, né? Então eu falo que parte da minha motivação agora de servir é que as pessoas merecem voltar a sonhar. Quero que elas sonhem grande e, assim, o que a gente quer para os brasileiros, assim como o que eu quero para os meus filhos — tenho um de um ano e meio também, que é um milagre, foi aos 45 anos — é: você cria seus filhos pra quê? Pra ter propósito, se educar, crescer e voar sozinhos. Você não quer que esteja com 40 anos, 50, morando com uma mãe. Então a gente quer fazer um governo marcado não por preservar as pessoas numa prisão de assistência, e sim que elas realizem esses sonhos e voem alto, né?
CM: Mas quem tem o pai, o pai, o gerente geral da Caixa, do Banco do Brasil, que sai lá de baixo... a gente tem exemplos, tem de casa, né, desse crescimento profissional. Em base familiar e de fé, né?
DM: Eu sou muito católica, com meus escapulários aqui me protegendo. Porque a fé é a base de tudo, né? Você fala, como eu cheguei na reza também, as minhas promessas... Essa menina de Barra Mansa, que era ousada, então assim, eu não tinha freio pro que eu pensava, e eu fazia umas promessas ousadas.
CM: Você falou que teve colega do catecismo, né? Então você seguiu todo o ritual.
DM: Fiquei catecismo, casei na igreja agora, então meus filhos foram batizados na Igreja Católica. Então eu acho que a fé é a sua base essencial, senão a gente é uma mosca no caos, né? Independente de qual religião você tem, mas acho que a fé ancora muito, e pra Deus nada é impossível. Então eu era muito ousada, assim, de sonhos, de pensamento. Eu escrevia as minhas intenções e botava no papel, sempre coloquei e continuo colocando. Eu falava: Eu quero ter um milhão de dólares, eu quero ter isso. E eu conquistei, materializei, por isso eu tenho um senso tão grande de retribuir, porque eu vejo as pessoas... a Magna Vita perderam a fé um pouco nas lideranças. Você vê muita gente indo pra vida pública pra se servir. A vida pública, você vai lá pra ser funcionário público, né, e servir ao coletivo. Você não vai lá pra ficar rico. Você vai ficar rico se tem que produzir alguma coisa e conquistar na via privada. Então eu tenho feito agora todo esse sacrifício, eu tenho vontade de servir pra gente resgatar essa essência, deixar um legado pro Brasil, pros meus filhos, de mudança e de inspiração, de que as pessoas não precisam ficar presas no pequeno, né? E cabe ao Estado ser o motor de capacidade, de desenvolver, de encorajar, de estimular. Então isso, mulheres principalmente, são sobrecarregadas, cuida de filho, cuida de casa, cuida de idoso. Então você equilibrar tempo e mostrar que uma mulher de sucesso, ela pode conseguir. Equilibrar e conquistar, mas o Estado tem que prover algumas coisas também de apoio. Então, se a gente tem um milhão de crianças esperando vaga de creche, um milhão de mães não podem trabalhar, né? Eu tô aqui com você hoje porque tem alguém me ajudando em casa, minha mãe tá aí, aliás, me ajudando na minha campanha, porque eu tô trabalhando num ritmo intenso. Então, o Estado tem que ser um desenvolvedor de capacitar, de capacidades e não aprisionar as pessoas num medo, né? De: 'Não, eu não quero voar sozinha porque eu tenho medo de voltar a passar fome, de alguma coisa estar errada.' Por isso a gente tem colocado algumas coisas assim também, de: 'Olha, o seu cadastro tá aqui garantido, vai. Se alguma coisa der errado, você volta, vai estar aqui, mas vai mais, né?' E isso... E o Brasil tem essa gana, né? O Brasil é guerreiro, ele é bem-humorado, ele não tem preconceito.
CM: Bom, Dani, muito obrigado. É importante mostrar esse lado humano, sobretudo fazer jornalismo direito, ou seja, uma entrevista que você mostra exatamente o lado humano das pessoas, mas sobretudo você mostra que existem pessoas que estão querendo servir o Estado, servir a população e, de uma certa forma, como Paulo Guedes, que eu admiro muito o ministro Paulo Guedes, eu acho que a história ainda vai reconhecer ainda mais o que ele fez, porque é uma pessoa que perdeu dinheiro, a mulher também perdeu, poder trabalhar para o serviço público, mas sobretudo para construir um futuro melhor pra você agora, em dose dupla, com um filho bebê.
DM: E acho que a semente tanto do presidente Bolsonaro, que eu convivi, é uma das pessoas mais íntegras, ou a mais íntegra que eu já conheci de... Pureza de pensamento e vontade de ajudar. Para mim, esse aprendizado de Brasil Real veio dele, tanto ele quanto o municipal Guedes deixaram sementes. Então a gente tá disseminando essas sementes, o Flávio, eu, o Adolfo Saxida, um pedaço do time, eu chamo da corrente do bem, isso. Cláudio Lottenberg, veio o Adriano Pires, aí vai um contagiando o outro, você fala: Pô, a gente vai mudar o Brasil. E agora, sim, tá um arrasto de gente se alistando pra servir, como eu falo, e tá com o Flávio Bolsonaro nessa missão dele, eu tenho certeza que vai dar certo.
CM: E o Flávio tem um componente de ponderação que é muito importante. Eu até brinco, Antônio Carlos Magalhães tinha no Luiz Eduardo um filho que falava com todas as correntes, que fazia o diálogo, e o Antônio Carlos tinha muita reverência a essa força do Luiz Eduardo, como o presidente Bolsonaro sempre. E foi muito importante essas ponderações do Flávio durante o governo do pai, porque ele conseguiu manter um canal de diálogo, que o Brasil precisa acabar com essa polarização. O Brasil precisa ter paz, né?
DM: Precisa ter paz. Não há ambiente econômico de crescimento se a gente não tiver uma paz institucional e voltar pra normalidade. E um governo que não atrapalhe o empreendedor. E mudar de governo significa a gente voltar pra uma normalidade e sair desse estado policialesco que a gente tá.
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