O ministro do STF, André Mendonça, tem apavorado políticos tanto da direita quanto da esquerda. A sua importância ultrapassa os limites da racionalidade terrena, pois a crise de moralidade que o Brasil atravessa é fruto do culto ao dinheiro e a praxe é fazer fortuna com o erário público.
O contraste de Mendonça com outros julgadores o transformou em vítima de ataque de colegas profundamente incomodados com a sua retidão e convicção, da sua posição como guardião de valores que até então estavam se desviando pela ganância e apetite desmedido de alguns integrantes do Judiciário.
O papel quase messiânico de André Mendonça o coloca em risco permanente. Risco de uma campanha de desmoralização com o questionamento das suas decisões, as quais podem sofrer tentativas de nulidade e até risco de vida, já que não há argumentos que possam segurar sua implacável caneta de julgador.
A soberania dos fatos e os desígnios superiores, rótulos para os que não creem em uma força divina, fizerem ele, por sorteio, no centro dos dois maiores casos do judiciário: INSS e Banco Master. No caso do Master, quando a relatoria foi posta em suas mãos, ele se trancou para orações. Sabia que havia recebido uma missão sem precedentes, que contaminava o próprio Olimpo ao qual foi introduzido como um estranho no ninho.
O que esperar de um homem que teme a Deus e rege a sua consciência por leis milenares que formaram a base do mundo civilizado cristão? O temor da direita e da esquerda se justifica pela sua subordinação à soberania cristalina dos fatos. Quem errou paga, quem é inocente não deve temer lampejos de um julgamento infiltrado pela conveniência.
A crise que abala o equilíbrio do estado de direito está na dualidade daqueles que usam o judiciário como instrumento da política, e daqueles que agem por ganância escravizados ao vil metal. Decisões têm sido proferidas sem pudor por julgadores que usurpam funções de investigador e julgador, quando se colocam como própria vítima dos casos julgados. Se põem a serviço do oportunismo político e perdem o limite, como levar a julgamento decisões de colegas que integram cortes superiores eleitorais e até colocam a carreira da magistratura no banco dos réus — este último caso na tentativa de limpar casuisticamente a própria imagem do STF. O estarrecimento hoje já ultrapassa as fronteiras brasileiras e envergonham aqueles que acreditam na Justiça. Já no plano político, o judiciário é usado para ceifar adversários, congelar direitos constitucionais e estabelecer um entendimento oportuno não só das leis, mas da carta magna. O que aconteceu com a interferência do STF no processo sucessório do estado do Rio de Janeiro será, algum dia, julgado pela história. É o ativismo oportunista que se aproveita do respeito social às decisões judiciais, por mais esdrúxulas que sejam, e que corroem o estado de direito.
A constituição e as nossas leis deveriam ser soberanas e não voláteis a este tipo de manipulação, transvestidas de jurisprudência ou interpretações oportunistas. As leis, a partir das tábuas de Moisés, deveriam ser blindadas de ataques e casuísmos interpretativos.
Agora, a missão do ministro André Mendonça ganhou uma dimensão maior. Serve como antídoto para a crise de moralidade que se coloca sobre parte da Suprema Corte brasileira. Ao permitir que a sociedade tivesse acesso ao que ocorreu nos bastidores da relação com um ministro do próprio STF com um banqueiro e, por extensão, ao Procurador-Geral da República, agiu como um homem íntegro e não se calou, deixando de ser cúmplice. A sua postura agora é de uma missão que exige coragem e, até, um pouco de loucura. De forma premonitória, fez, nos dias 24 e 25 de abril de 2026, na 6ª Conferência GPAMDA (Grupo Presbiteriano de Apoio a Mães de Atípicos), um ministério criado em 2018 na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, voltado ao acolhimento e à inclusão de pessoas com deficiência, autismo, síndrome de Down e outras condições, além de suas famílias, um desabafo que ganha todo um sentido na leitura de setembro de 2026.
Um desabafo que merece ser lido com a máxima atenção. São palavras ditas com absoluta honestidade que nos ajudam a compreender a situação que o Brasil passou a viver a partir do último dia 1º de setembro. Disse o ministro para as mães e integrantes daquele ministério especial, palavras fortes que transcrevemos na íntegra:
"Interessante que hoje, às vezes, sai notícia nos jornais, ainda hoje, saía antes. O André, ele é ministro - segundo ministros do Supremo, alguém está falando... - não tem estofo. E eu falo, sabe o quê? Glória a Deus, porque o meu estofo não vem dos homens."
"Porque, à luz dos homens, eu sou o fraco mesmo. À luz dos homens, eu sou um crente que não é tão racional, que, às vezes, é emotivo, que gosta de andar com os fracos, que não gosta de andar com os fortes. Quero dizer, inicialmente, que você não está sozinho nessa."
Falando ao público especial do ministério de apoia as mães atípicas disse: "Eu estou no mesmo barco que você. E que a nossa grande força não vem de nós, vem de Jesus Cristo. Porque quando nós somos fracos, é que nós somos fortes. E é interessante que, quando as pessoas me olham e percebem e fazem uma leitura humana de fraqueza, entendam isso, para mim é sinal de que eu estou forte diante de Deus. Que essas pessoas olharem para mim e virem altivez, e virem uma segurança e um domínio próprio que vem de si mesmo. Algo que é como se ele por si só dominasse a situação."
"Aí acende o sinal do alerta, de que eu estou me descolando das minhas origens. De que eu estou deixando de ser quem de fato eu sou. Alguém que carece da graça, do amor, da misericórdia de Deus."
"É por isso que, ali no versículo 27, pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar as sábias. Porque se eu for o sábio, Deus vai escolher um louco para me envergonhar. Mas se eu for o louco, Deus vai me escolher, naquelas situações específicas, para confundir quem acha que domina todas as coisas, que é bom por si mesmo, que é sábio por si mesmo, que tem as regras e é capaz de manipular a história."
"E eu me divirto, num bom sentido, porque essas pessoas que acham que vão dominar as coisas, manipular as pessoas, fazer os movimentos, eu fico pensando, gente, eles não conhecem Deus. Deus não está lá de dedo em riste, ele bagunça o tabuleiro de um jeito que o cara não sabe nem onde ele está mais. E que a cova que às vezes cavam para nós, é a cova que eles mesmos vão cair."
"E que todas as vezes que nos desacreditarem, é o momento que Deus vai vir para nós e dizer, eu acredito, porque eu te escolhi."
Estas palavras de desabafo do ministro André Mendonça traduzem a sua ação saneadora de colocar um basta aos abusos transvestidos de justiceiros. Hoje, com a sua toga, honra o judiciário. A sua coragem colocou uma luz sobre as trevas que atormentam uma nação. Prendem os inocentes e amordaçam a verdade. Vai ser difícil este embate entre um homem que acredita em Deus com aqueles que se transformaram em escravos do metal. Virou uma questão de honra e uma luta para qual a sua sanidade e dignidade mobiliza toda a sociedade e forma um exército de homens justos que exigem o fim das arbitrariedade. Como disse o ministro Mendonça no seu desabafo iluminado: "E que a cova que às vezes cavam para nós, é a cova que eles mesmos vão cair."
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