Curiosa a revisão de valores do jornal O Globo sobre a Refit. O jornal não teve o menor pudor em associar durante anos a sua marca à companhia de Ricardo Magro. Foi o principal patrocinador do Camarote durante várias edições, patrocinou o prêmio Estandarte de Ouro no Carnaval e até seminários com ministros do STF.
Por que o compliance deve funcionar somente para terceiros e não para a marca do jornal? Aquele célebre vídeo do seminário de Nova Iorque patrocinado pelo Master, também foi patrocinado pela Refit. A presença de Ricardo Magro na plateia foi citada com agradecimentos igualmente os que foram feitos a Daniel Vorcaro. É só assistir ao vídeo.
Os problemas da Refit (Manguinhos) com o fisco já eram conhecidos. A discussão da dívida pactuada em parcelas estavam sendo honradas também.
O problema é a postura amnética das edições atuais. Os patrocínios da Refit ao Globo funcionavam, assim como os do Master, como um aval público para as duas empresas. Se uma empresa jornalística tão rigorosa com o moralismo promovia esta associação de marca, é porque elas não estavam radioativas. É simples assim.
Um editorial explicando estas duas relações continuadas, que inclui também o patrocínio de programas de televisão da Rede Globo (Autoesporte pela Refit e Domingão do Hulk pelo grupo Master), poderia ser incluído neste inventário de amnésia aos bons costumes.