Pude testemunhar um emocionante momento na vida de Rubem Medina. Depois de nove mandatos como deputado federal, ele pisava pela primeira vez no plenário da Câmara dos Deputados depois de ter se afastado da vida parlamentar. Ele chegou lá jovem. Foi eleito quando era apenas um garoto de 25 anos. Ficou quase uma década de forma ininterrupta. Era agora um senhor de cabelos grisalhos que retornava à sua casa para uma cerimônia em homenagem ao turismo, já que ocupava o cargo de Secretário de Turismo do prefeito Cesar Maia.
A presença de Medina agitou os servidores. Muitos fizeram fila para abraçá-lo. Alguns com lágrimas nos olhos, emocionados pelo reencontro.
Fora do mandato, ele havia se recusado a pisar naquele solo sagrado do plenário que tanto honrou e foi palco da transformação de um jovem em um político experiente e decisivo em momentos importantes do nosso parlamento.
Os cumprimentos emocionados de garçons, taquígrafas e seguranças reflete uma das marcas da sua personalidade: a simplicidade. Aliás, uma característica herdada do pai, Abraham e da mãe Rachel Medina — e seguida à risca pelos irmãos.
Ele fez parte de uma geração de novos políticos que cresceu na vida parlamentar, jovens que, como ele, debutaram precocemente na vida pública. Entre eles, Henrique Eduardo Alves, que virou um amigo para toda uma vida.
Ele fez parte de uma geração de parlamentares que tinham gosto pela política e pela missão que um mandato oferece. Valores ofuscados hoje por uma sede insaciável de usar a política como instrumento de negociatas. Nunca se envolveu em escândalos e honrou a política até seus últimos momentos. Gostava da política e andava muito preocupado com a situação nacional.
Rubem foi um grande defensor do Rio e do turismo. Enxergava, como o pai, o setor como uma vocação natural do estado. Junto com o deputado Paulo Octávio, foi o criador da comissão de turismo da Câmara Federal. Uma pena que o destino não lhe colocou na Prefeitura da cidade que tanto amou — perdeu a eleição para Saturnino Braga. Cada projeto e cada voto eram exaustivamente estudados. Ele era um perfeccionista como parlamentar e tinha o domínio do fato.
Um dos orgulhos de Rubem era uma carta escrita pelo Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Um verdadeiro estímulo à política com P maiúsculo. Guardava também uma foto com o presidente John Kennedy, na Casa Branca, um exemplo de juventude inspiradora que tinha as mesmas características de jovem galã que Rubem possuía na juventude. Uma elegância principesca que preservou por toda a vida.
Eram nos pequenos gestos que se pôde avaliar a grandeza do seu caráter. Como quando estava com uma mão imobilizada, seguir até a entrada do Camarote Vip do Rock in Rio para pessoalmente entregar uma pulseira de acesso a um amigo. Gestos simples e feitos sempre de forma natural.
Com o irmão Roberto, ele espelhava um exemplo raro de fraternidade amiga. Um é sonhador e outro pragmático. Ajudava a realizar o que o outro idealizava. Uma dupla perfeita de amigos irmãos e irmãos amigos. Para Roberto, deve ser indescritível a dor dessa perda tão precoce, para uma família longeva. É hora de muita reflexão, oração e solidariedade.
A atuação de Rubem Medina na política precisa ser preservada e agora que não está fisicamente entre nós, o jovem prefeito Eduardo Cavaliere, que, por coincidência, possui muitas características semelhantes ao ex-parlamentar, tem o dever de propor uma grande homenagem à memória de Medina. O seu exemplo de vida deve servir como farol para as futuras gerações de políticos. Fica a saudade e a lembrança de uma das inúmeras virtudes da personalidade de Rubem Medina, muito raro para quem ingressa na política: ele quando sorria, sorria também com os olhos, revelando uma alma genial e fraterna que vai fazer muita falta nos dias sombrios que vivemos hoje, principalmente na política.