Munição pesada: Michelle disse que falou "quase tudo"
26 de junho de 202600:01POR
FERNANDO MOLICA
Flávio e Michelle — quando sorriam juntosCrédito: Reprodução/Redes sociais
De volta à Câmara dos Deputados depois de seis meses de ausência forçada, Glauber Braga (Psol-RJ) destaca que Michelle Bolsonaro guardou munição contra seu enteado Flávio Bolsonaro.
Na parte final do último dos dois vídeos que postou contra o pré-candidato do PL à Presidência, ela afirmou que tinha falado "quase tudo o que precisava ser dito". Na legenda, como frisa o psolista, a palavra "quase" foi escrita com maiúsculas.
Para ele, a frase representa uma ameaça direta ao senador, que disputa com a madrasta o protagonismo entre os bolsonaristas. Glauber ressalta que o pedido de desculpas de Flávio a Michelle indica "que o medo da delação está grande".
Sem mentiras
Vorcaro: conversas negadas pelo senadorCrédito: Reprodução/Redes sociais
No mesmo vídeo, Michelle toca em outro calo de Flávio: diz não gostar de mentiras, referência ao fato de o senador ter, em um primeiro momento, negado conversas e pedidos de dinheiro a Daniel Vorcaro.
O princípio da verdade é muito forte entre evangélicos mais ferrenhos. Depois da revelação dos contatos com o então dono do Master, a queda do apoio de Flávio entre esses fiéis foi muito expressivo.
Momento impróprio
Lideranças do PL demonstraram surpresa e irritação com os vídeos de Michelle. Até porque as postagens ocorreram em um momento em que, segundo o Datafolha, Flávio havia conseguido parar de cair na preferência dos eleitores. A diferença para Lula havia se estabilizado.
Há o temor de que as falas da mulher de Jair Bolsonaro tenham o efeito de punições de jogos de tabuleiro, e determinem que Flávio volte algumas casas na disputa.
Lavanderia
Ontem, o tom geral era de que "roupa suja se lava em casa" — até o pastor bolsonaristas Silas Malafaia foi à Bíblia buscar frases que pregam união doméstica e cuidado ao falar.
Ontem, ele repostou o vídeo em que o senador pede desculpas à madrasta e comentou: "Flávio Bolsonaro dá um show!".
Pedido de união
A exemplo de outros aliados de Jair Bolsonaro, a deputada Bia Kicis (PL-DF) usou a situação dos condenados pela tentativa golpista como forma de tentar unir michellistas e flavistas. Frisou que a eleição do senador é fundamental para viabilizar uma anistia. Ressaltou que o marido de Michelle está preso.
Jogo de Valdemar
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto lançou uma nota conciliatória, defendeu a liberdade de expressão como ensinamento de Jair Bolsonaro. Mas, no partido, há quem aposte que ele incentivou as declarações de Michelle. Não faz tanto tempo assim, ele defendia a candidatura dela à Presidência.
Torcida
Petistas vibraram com o novo problema enfrentado pela campanha de Flávio Bolsonaro. Mas permanece a torcida para que a crise não leve a uma situação que justifique a troca do senador por Michelle na disputa presidencial. Lula teria mais dificuldades para brigar com alguém de fora do universo político.
Versões
Outro ponto que assustou bolsonaristas é a aparente passividade do ex-presidente na disputa entre seu primogênito e sua mulher. Há muita expectativa para saber o que ele vai falar a respeito — o problema é que Michelle e Flávio estão entre as poucas pessoas com quem ele pode conversar. Cada um pode dar a própria versão.
Bets pra escanteio
A pressão nas redes sociais e na Câmara dos Deputados parece ter funcionado. Nos últimos dias, a CazéTV abandonou a propaganda agressiva de bets que se transformara em uma das marcas de suas transmissões de jogos da Copa do Mundo. Comentaristas chegavam a induzir apostas.
Senador virtual
A vida mansa do senador Romário (PL-RJ) na Copa do Mundo foi viabilizada pela decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de convocar, principalmente, sessões semipresenciais. Os parlamentares podem votar de qualquer lugar do mundo, entre uma jogada e outra.
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