Minas Gerais vira desafio para Lula e Flávio Bolsonaro
25 de junho de 202600:03POR
FERNANDO MOLICA
Presidente ouviu do PT-MG recusa a aliança com MDBCrédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Minas Gerais virou um problemaço para os dois principais candidatos à Presidência: o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) não conseguiram definir quem apoiarão para o governo estadual.
Ontem, em reunião com Lula no Palácio da Alvorada, a presidente do PT-MG, deputada Leninha, disse que o partido não aceita ficar com Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB. Ela insistiu que o PT lançará um nome dos próprios quadros para a disputa.
O nome de Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vinha sendo cogitado desde que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) anunciou que não seria candidato e irá deixar a vida política. Ele era a principal aposta de Lula.
Marília do PT
Ex-prefeita de Contagem quer o SenadoCrédito: Reprodução / Facebook
Da reunião com Lula participaram também integrantes da bancada federal mineira e integrantes da executiva nacional do partido.
O nome preferido pelo presidente e pelo partido em Minas é o de Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, cidade na região metropolitana de BH.
O problema é que ela insiste em ser candidata ao Senado, eleição que considera mais fácil.
Insistência petista
Para aumentar suas chances, Marília vinha defendendo o apoio a Azevedo. Agora, terá mais dificuldades para bater pé e garantir o direito de concorrer ao Senado. Advogado e jornalista, o emedebista ficou em quarto lugar quando, em 2024, concorreu à prefeitura de BH.
A resistência ao seu nome é baseada na avaliação de que ele tem poucas chances de vencer e acabaria se fortalecendo para disputas futuras. Isso, pelo tempo de TV e pela estrutura do PT.
Indefinição de Cleitinho
Flávio Bolsonaro também tem dificuldades para ter um horizonte mais claro entre as montanhas mineiras. O candidato favorito da direita, líder das pesquisas, é o senador Cleitinho (Republicanos).
O problema é que ele mantém suspense sobre a possibilidade de entrar na disputa pelo governo: ora sinaliza que sim; ora que não.
Vice importado
Caso Cleitinho assuma a candidatura, o PL insistirá em indicar o candidato a vice-governador, o favorito é o empresário e ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, de 75 anos. Nascido em Parma, na Itália, veio para o Brasil aos 25 anos e se naturalizou em 1981. Ele também é alternativa para ser cabeça de chapa.
Banco complica PR
A operação da Polícia Federal contra o enroladíssimo Digimais, banco do bispo Edir Macedo, fundador e chefe da Igreja Universal do Reino de Deus, complicou ainda mais a situação do Republicanos em relação à eleição. Nascido de uma costela da Universal, o partido continua muito ligado à igreja.
Prioridade
O PR vinha tocando pro lado qualquer definição sobre apoio em outubro, mas, agora, a indefinição é maior. A prioridade é salvar o Digimais que, segundo a PF, agia de maneira parecida com o Master ao inflar seus balanços com papéis e imóveis que equivaliam a títulos de propriedade no Céu.
Impasse paulista
Ou seja: não é improvável a possibilidade de o PR ficar neutro para, assim, não cortar laços com o vencedor. O problema seria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é filiado à legenda, explicar que seu partido não apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto.
Torcida radical
Pessoas ligadas à pré-campanha de Lula comemoraram muito a possibilidade de a deputada Bia Kicis (PL-DF) ser a candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro — torcem para ela ser escolhida. Isso porque ela daria um tom ainda mais radical à chapa do senador.
Bola fora
Mas, no Palácio do Planalto, a avaliação é de que Flávio apenas fez um agrado à parlamentar, fiel seguidora do bolsonarismo. Ele, afinal, sabe que essa disputa presidencial, polarizada como as mais recentes, tende a ser decidida por eleitores mais moderados. Bia Kicis passa longe desse tipo de perfil.
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