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Área no Aterro oferece risco; prefeito cancela concessão

Área no Aterro oferece risco; prefeito cancela concessão
Aterro do Flamengo, onde fica a área do antigo posto Crédito: Riotur / Reprodução

Advogado da empresa que administrava o posto de combustíveis que havia em área da prefeitura no Aterro do Flamengo, no Rio, Francisco Saint Clair Neto diz que as instalações oferecem risco: 40 mil litros de gasolina permanecem por lá desde 2025, quando o posto foi fechado.

Ontem à noite, quatro horas depois de o Correio Bastidores questionar a prefeitura sobre a existência do combustível no local, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) anunciou que os tanques estavam sendo retirados.

Ele também afirmou que rescindiu o contrato com a GW Rio Veículos, que vencera licitação para explorar o local, onde começara a construir uma revendedora de carros importados da China.

 

Prefeitura conhecia o problema

A prefeitura sabia do risco: em 4 de abril e 28 de julho de 2025, publicou notificações para que o combustível fosse retirado. Mas, em 15 de setembro, informou que a área havia sido desocupada e liberada em 28 de julho — mesma data da publicação de uma das notificações.

Saint Clair Neto disse que, ao ser obrigada pela prefeitura a deixar o local, a Auto Posto Aterro do Flamengo não teve como retirar a gasolina de seus tanques.

Data retroativa

Data retroativa
Cavaliere disse que tanques estão sendo retirados Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

Na publicação de setembro de 2025, a Superintendência de Patrimônio Imobiliário do município publicou que o prazo de vigência da nova concessão seria contado a partir de uma data retroativa, 28 de julho, a da desocupação.

A licitação da área ocorreu em 2023. Vencedora do certame, a GM Rio começou a construir um showroom e uma revenda de carros no local apenas em 2026 — isto, apesar do combustível armazenado por lá. A obra foi embargada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na última segunda-feira.

Outra confusão

Ao longo da semana, prefeitura disse que só autorizara a instalação de posto de recarga de veículo elétricos.

Há também uma confusão de datas relacionadas à obra: a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) relativa aos trabalhos diz que o contrato de construção foi assinado em fevereiro de 2024, 17 meses antes de a GW ser autorizada a ocupar a área.

Edital amplo

Ontem, Cavaliere disse que haverá apenas a instalação de um eletroposto no local e afirmou que apenas isso fora admitido pela licitação de 2023: o edital, porém, previa "posto de combustível e/ou recarga elétrica e atividades afins". Depois, passou a incluir "qualquer atividade permitida pela legislação vigente".

Descontaminação

Saint Clair Neto frisa que a descontaminação de áreas ocupadas por postos de combustíveis pode levar até dez anos. A instalação e a desativação desses estabelecimentos são reguladas por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente que prevê apresentação de plano de encerramento de atividades.

Sem licença

Ele classifica de ilegais as licitações feitas pela prefeitura para duas áreas antes exploradas pela empresa que representa (a outra também fica no Aterro). Segundo o advogado, nenhuma das duas empresas vencedoras possui Licença de Operação exigida pelo Conama e emitida por órgãos ambientais.

Sem decisões

Em fevereiro de 2025, ele abriu, no Tribunal de Contas do Município, dois processos em que questiona as licitações e pede concessões de liminares. Os casos foram distribuídos para o gabinete do conselheiro Ivan Moreira dos Santos e, até hoje, não houve qualquer decisão. As últimas movimentações ocorreram há um ano.

Susto e alívio

Petistas chegaram a tomar um susto com as primeiras declarações, ontem, de Donald Trump, mas respiraram aliviados quando ele confundiu os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro e disse um deles tinha sido preso. O segundo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, mas está livre, vive nos EUA.

Resposta

Na avaliação de integrantes do PT, as confusões de Trump, que chegou a citar um inexistente "Bolsonaro Junior", tiraram força das declarações. Também avaliaram como positiva a resposta de Lula, que disse para o colega dos EUA não se meter nas eleições brasileiras. Acham que isso reforça o discurso de soberania.