Trabalho escravo: Volks condenada por fazenda no PA
12 de junho de 202600:01POR
FERNANDO MOLICA
Anúncio veiculado pela ditadura sobre o gado da VWCrédito: Reprodução
A Justiça do Trabalho condenou a Volkswagen a pagar quatro indenizações de R$ 2 milhões a ex-trabalhadores submetidos a trabalho escravo, na década de 1980, na Fazenda Vale do Rio Cristalino, então de propriedade da montadora e localizada em Santana do Araguaia (PA).
As indenizações, por danos morais e existenciais, foram determinadas pelo juiz do Trabalho José Iraelcio de Souza de Melo Júnior, de Redenção (PA).
No ano passado, a foi condenada a pagar R$ 165 milhões por danos morais coletivos também por ter promovido trabalho análogo ao escravo na mesma fazenda. A multinacional recorreu, mas a decisão foi mantida em segunda instância.
Alegações rejeitadas
Nas sentenças, Melo Júnior rejeitou uma série de alegações feitas pela montadora, entre elas, a de que os casos estariam prescritos. Segundo ele, o trabalho em regime análogo ao escravo representa crime imprescritível.
Ele também não aceitou o argumento da montadora de que não seria responsável por relações trabalhistas da Companhia Vale do Rio Cristalino, dona da fazenda. A Volkswagen era a principal acionista da CVRC.
'Servidão por dívida'
Wolfgang Sauer, ex-presidente da Volkswagen e da fazendaCrédito: Divulgação
As decisões beneficiam Pedro Valdo Pereira Vasconcelos, José Ribamar Viana Nunes e os irmãos Raimundo e Raul Batista de Souza. Todos alegaram que foram contratados por "gatos" para prestarem serviços na fazenda que era conhecida pelo nome da montadora.
Ao chegarem ao local, foram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho, alojados em locais precários e obrigados a contrair dívidas em cantina mantida pela própria fazenda. Segundo o juiz, os fatos caracterizam "servidão por dívida".
Acionistas
A implementação da fazenda começou nos anos 1970 e foi incentivada pela política da ditadura de ocupação da Amazônia. O juiz citou evidências documentais de que a fazenda pertencia à Volkswagen. Ressalta que o presidente da CVRC era o mesmo da montadora, Wolfgang Franz José Sauer. Outro acionista da empresa e da Volkswagen do Brasil era Joaquim Monteiro de Carvalho.
Outro lado
Em nota, a Volkswagen afirmou que não se manifestaria "sobre discussões judiciais em andamento". Disse ainda reafirmar "seu compromisso permanente com o respeito absoluto à Constituição Federal, às leis brasileiras e aos princípios internacionais de direitos humanos que orientam sua atuação".
O novo Cunha
A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de colocar para votar três das chamadas pautas-bombas (que explodem o orçamento) fez com que ele fosse comparado com Eduardo Cunha, presidente da Câmara durante o governo de Dilma Rousseff. Ele bancou projetos semelhantes.
Razões de Davi
Para quem conhece Alcolumbre, as medidas — assim como a rejeição de Jorge Messias para o STF — estão ligadas à investigação da Polícia Federal sobre investimentos do fundo de previdência do Amapá no Master e às dificuldades eleitorais de seus aliados ao Senado e ao governo do estado.
Day after
Vale lembrar que a operação da Polícia Federal no Amapá ocorreu no dia 6 de fevereiro, um dia depois de o presidente Lula (PT) questionar os investimentos feitos pelo fundo de previdência, dirigido por aliado de Alcolumbre e de pedir investigações sobre o caso. A Amprev comprou R$ 400 milhões de papéis emitidos pelo Banco Master.
Trabalho infantil
Hoje é, além do Dia dos Namorados, o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil. Vice-diretora da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 1ª Região, Bianca Merola alerta para a exploração do trabalho de crianças no ambiente digital, principalmente como influenciadoras.
Expectativas
A juíza ressalta que os compromissos gerados por contratos de publicidade que envolvem metas de audiência e busca constante de exposição precisam ser olhados com atenção. Para ela, essas expectativas, reponsabilidades e cobranças não fazem parte da leveza que uma criança precisa ter.
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