CORREIO BASTIDORES

Nova operação complica ainda mais candidatura de Castro

Nova operação complica ainda mais candidatura de Castro
Castro está sendo investigado pela PF em dois casos Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Integrantes do PL evitam falar abertamente sobre o tema, mas há um quase consenso de que a nova operação da Polícia Federal no apartamento do ex-governador Cláudio Castro acabou com a chance de ele ser candidato ao Senado.

A possibilidade de ele concorrer era pequena depois de o Tribunal Superior Eleitoral decretar, em março, sua inegibilidade — ele anunciara que tentaria reverter a decisão. A primeira operação da PF, no dia 15, relacionada ao caso Refit, havia minado suas chances; o cenário piorou com a de ontem. Ele é suspeito de favorecer investimentos do Rioprevidência no Master, um valor de R$ 3,7 bilhões — antes, a quantia estimada era de R$ 1 bilhão.

 

Cobertura com piscina

Para um aliado de Castro, a situação foi agravada pelas imagens que mostram o ex-governador caminhando ao lado da piscina de sua cobertura na Barra da Tijuca, no Rio. Policiais federais também aparecem no flagrante.

À Justiça Eleitoral em 2022, Castro declarou possuir apenas um apartamento, também na Barra da Tijuca, e mais R$ 19.006 em depósitos, aplicações e cotas de duas empresas.

Risco para Flávio

Risco para Flávio
Valdemar garantira legenda para disputa do Senado Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

Na segunda-feira, em entrevista à Globonews, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, insistiu que Castro seria candidato ao Senado caso conseguisse autorização judicial para concorrer.

A nova operação, porém, dificulta a situação, até porque há o temor de que o fato também respingue no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também envolvido com um caso relacionado ao Master — o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, para a conclusão de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fama indesejada

A preocupação é de que a sucessão de casos suspeitos envolvendo políticos do PL transfira para a legenda pelo menos parte do estigma de associação à corrupção: os casos Mensalão e Lava Jato colaram a pecha no PT.

Políticos de outros partidos também foram citados nos dois escândalos, mas a marca de conivência com a roubalheira sobrou, principalmente, para os petistas.

Risco assumido

O encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump foi recebido com alegria e alívio por seus aliados. Havia o temor de que o sempre imprevisível presidente norte-americano não recebesse o pré-candidato do PL, o que, pela expectativa criada, representaria um vexame. Acuado, Flávio aceitou o risco.

'Papagaio'

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) não perdeu tempo. Assim que foram divulgadas as fotos do encontro na Casa Branca, classificou Flávio de "papagaio de pirata", por estar de pé, atrás de Trump, que permaneceu sentado. Depois, disse que ele, o irmão Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo eram "os três patetas".

Impasse

Setores empresariais, principalmente do comércio, não escondem o desespero com a perspectiva de aprovação da proposta de emenda constitucional que acaba com a escala de trabalho de seis dias por um de folga. A avaliação é de que o ano eleitoral impede que partidos mais conservadores votem contra.

Motos matam

A nova edição do "Atlas da Violência", que traz dados de 2024, aponta que motocicletas são "o principal vetor de mortalidade no trânsito brasileiro". Acidentes com esse tipo de veículo foram responsáveis por 41,6% das mortes registradas naquele ano — motos representam 23,16% da frota (somadas às motonetas, chegam a 28,32%).

Mais no Piauí

As mortes com motocicletas ocorrem proporcionalmente mais em estados do Norte e Nordeste. No Piauí, chegaram a representar 72,7% dos casos fatais registrados em todos os acidentes de trânsito; no Rio Grande do Sul, 24,8%. De 2023 a 2024, o índice de mortes em casos envolvendo motos subiu 14,7% no país.

Violência de rua

Brasileiros costumam não associar as mortes no trânsito à violência na sociedade — esta é quase exclusivamente relacionada à ação da criminalidade. Mas vale comparar os números: o número de mortes no trânsito em 2024 (37.150) representa 87,22% do total de homicídios registrados em todo o país.