CORREIO BASTIDORES

Setores da direita avaliam ganho em eventual derrota

Setores da direita avaliam ganho em eventual derrota
Jair Bolsonaro não admite saída do filho Flávio Crédito: Reprodução / Globo News

Setores da direita não bolsonarista já admitem, de maneira reservada, que a eventual derrota de Flávio Bolsonaro na disputa da Presidência representaria, pelo menos, a chance de o conservadorismo se livrar da dependência do pai do candidato, Jair Bolsonaro. O ex-presidente não admite a retirada da candidatura do primogênito.

O raciocínio é simples: diante das dificuldades causadas pela revelação dos contatos entre Flávio e Daniel Vorcaro, o clã sairá ainda mais vitorioso em caso de vitória na disputa com o presidente Lula (PT). Em compensação, a derrota daria a uma parte da direita a chance de questionar abertamente o domínio e a teimosia dos Bolsonaro.

 

Independência

Para esses quadros, a resiliência do pensamento conservador mesmo depois do 8 de Janeiro e das condenações por golpismo mostra que a direita se firmou como oposição e não depende mais exclusivamente dos Bolsonaro.

As simulações mostram que o antipetismo está tão consolidado que até candidatos com baixas intenções de voto no primeiro turno, como Ronaldo Caiado, endureceriam o jogo contra Lula na rodada decisiva.

Renovar sem trair

Renovar sem trair
Mesmo se vencer, Lula terá que ceder para a direita Crédito: Agência Brasil

Em outras palavras: a direita, claro, torce pela vitória de Flávio, mas avalia que uma derrota não seria tão trágica assim, desde que partidos conservadores consigam eleger boas bancadas federais e emplacar governadores. Um fracasso, porém, permitiria uma diminuição progressiva do poder de Jair Bolsonaro sem que isso aparente ser uma traição. Os setores mais pragmáticos também sabem que, mesmo vitorioso, Lula precisará ceder poder para partidos do Centrão que, assim, também receberiam vantagens.

Poder antipetista

Um detalhe da pesquisa Nexus divulgada ontem reforça a força do antipetismo. Num eventual segundo turno, 80% dos eleitores de Lula o escolheriam por considerá-lo o melhor candidato; 14% para derrotar Flávio Bolsonaro.

Já 32% dos eleitores do candidato do PL votariam nele para impedir o triunfo de Lula; 65% por considerar que o senador fluminense é o melhor para a Presidência.

Gol contra 1

Outros dados da pesquisa indicam que o caso Banco Master/"Dark Horse" provocou um desgaste de Flávio mesmo entre grupos de eleitores identificados com a direita. Em abril, ele tinha 33 pontos de vantagem sobre Lula entre os evangélicos (62% a 29%); em maio, 18 (54% a 26%).

Gol contra 2

Situação parecida foi registrada entre eleitores com nível médio: neste grupo, a vantagem do senador, de abril para maio, caiu de 16 (54% a 38%) para seis pontos (47% a 41%). No Sul, os 30 pontos à frente de Lula reduziram-se para 14 (53% a 39%). No Sudeste, porém, o empate técnico foi mantido.

Intimidade

O Tribunal Superior do Trabalho condenou a JBS a pagar indenização de R$ 15 mil a um ex-funcionário. Isso porque a empresa instalara câmeras no vestiário em Anastásio (MG) — alegou que estavam voltadas para os armários e eram para evitar furtos. Para o TST o equipamento violava a intimidade.

Olho no SUS

Já o Tribunal de Contas da União decidiu monitorar o funcionamento de 2.743 hospitais do SUS. A medida é para identificar problemas como desperdício e dificuldades de gestão e apontar possibilidade de melhoria no uso de recursos. Em 2025, o TCU revelou que hospitais do SUS apontavam eficiência média entre 28% e 50%.

Ameaça

O escritor angolano José Eduardo Agualusa revelou, em debate no Rio, que sua proposta de trocar o nome da língua portuguesa para língua geral despertou ódio em Portugal. O autor, que lançou o romance "Tudo sobre Deus", afirmou que chegou a receber ameaças de morte vindas do outro lado do Atlântico.

É nosso!

Agualusa afirmou que muitos portugueses que demonstram preconceito em relação ao jeito brasileiro de falar não se dão conta de um dado fundamental: 80% dos falantes do português são brasileiros. "Se o Congresso mudar o nome do idioma para brasileiro, será o sexto mais falado no mundo", completou.