Didê agora é hóspede do Coronel Tarciso no Grupo Prisional Especial dos Bombeiros
21 de julho de 202600:56Rafael Oliveira (Interino)
Quartéis de lata com preço de locação de apartamento de luxoCrédito: Reprodução
A vida é irônica. Depois de uma crise conjugal e de ter morado uma temporada em um apartamento de propriedade de Davi Perini Vermelho, conhecido como "Didê", atual presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), o coronel Tarciso Salles inverteu os papéis e passou a ser anfitrião do seu amigo que vive também uma crise, com proporções ainda maior. Ele foi preso em 9 de julho passado durante a Operação Ouroboros do MPRJ e está "morando" em teto comandado do Tarciso.
Poucas pessoas se deram conta que Didê está preso no quartel de São Cristóvão do GEP - Grupo Especial Prisional, uma das Unidades militares mais recentes no CBMERJ, criado em 17/06/06, pelo D.E. n040.157, tendo função de Unidade Carcerária da Corporação. Como é 3º Sargento da Reserva dos Bombeiros, ele não foi levado para Bangu, ficando "hóspede" das instalações militares do seu fraterno amigo.
CBMERJ nega tratamento ViP
Procurada pelo Correio da Manhã, a Secretaria de Defesa Civil enviou uma nota sobre o questionamento do tratamento de hóspede VIP que Didê tem recebido no GEP. Diz a nota: "O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) refuta categoricamente qualquer alegação de tratamento privilegiado ou regalia no Grupamento Especial Prisional (GEP). A custódia na unidade decorre exclusivamente da condição de militar da reserva da Corporação (Didê), em conformidade com a legislação aplicável e por determinação da autoridade competente, não representando qualquer benefício diferenciado. Ressalta-se, ainda, que as instalações do GEP são submetidas à fiscalização regular do Poder Judiciário, com inspeções semanais e realizadas por magistrado da Vara de Execuções Penais, o que assegura o cumprimento das normas legais e das condições de custódia".
Não mora mais
Em outra nota enviada ao Correio da Manhã e publicada na edição de segunda, 20, a assessoria de comunicação do CBMERJ tentou tapar o sol com a peneira, camuflando a soberania dos fatos com o uso do tempo de verbo. Na nota em tom imperativo é dito que o Coronel Tarciso Salles não mora em um apartamento do Didê. Só que não mora hoje, o que é um fiapo de meia verdade. , Omite porém que eld já morou, após uma crise conjugal recente, fato que, por hombridade, o próprio comandante geral confirmou a autoridades do Palácio Guanabara.
Coronel confirmou
Na dura conversa que teve com o primeiro escalão do Governo, o próprio comandante geral confirmou que usou o apartamento por uma temporada, arranjado por um amigo comum dele com Didê. Entre o não mora e já morou, a assessoria tenta criar uma cortina de fumaça para desmentir a veracidade da notícia do Correio da Manhã.
MPRJ de olho
As denúncias envolvendo as relações do coronel Tarciso Salles e o Didê chamaram atenção do Ministério Público Estadual. As conexões estão surgindo. Materializada por empréstimo de apartamento, foto tirada no camarote da Sapucaí que coloca Didê como anfitrião do comandante geral e de outros oficiais, do contrato denunciado pela Band Rio que envolve o aumento de gastos no contrato com uma empresa de uma construtora e agora que o alvo da operação está sob a guarda prisional do seu ex-inquilino.
Farra dos containers
Locação mensal de R$ 15.980,00 para casa Container habitávelCrédito: Reprodução
Surge agora a denúncia envolvendo a locação com manutenção preventiva e corretiva de módulo de containers habitáveis, climatizados, com infraestrutura interna completa, destinados à implantação de estruturas operacionais da Secretaria de Estado de Defesa Civil (SEDEC) e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), em conformidade com a legislação vigente.
Quartéis de lata
A contratação visa solucionar lacunas relevantes identificadas na infraestrutura física da Secretaria de Estado de Defesa Civil (SEDEC) e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), notadamente no que se refere à ausência de unidades operacionais em diversos municípios e à insuficiência de estruturas logísticas de apoio em regiões vulneráveis a desastres.
Merece lupa
A locação e o processo licitatório de 302 containers está sendo contestada pela principal empresa do setor . O processo de contratação ocorre via Pregão Eletrônico para Registro de Preços (como o Edital nº 182 / Processo SEI-270003/001728/2025). A empresa vencedora do processo de locação de contêineres habitáveis para o CBMERJ foi a SOLUTIONS WORD COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 28.413.325/0001-15).
Negócio milionário
Os valores unitários registrados foram de R$ 15.980,00 para o primeiro lote e de R$ 6.940,74 para o segundo lote. É o custo mensal do aluguel de cada módulo container habitável completo configurado conforme o tipo exigido para aquele lote. O lote total pode chegar a 43. É um contrato mensal de R$ 687.240,00, ou seja, R$ 8,2 milhões por ano. O valor mensal de R$ 15.980,00 equivale a locação de um apartamento de luxo na Barra da Tijuca.
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