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Exclusivo: Coronel Tarciso tentou transferir R$ 25 milhões do FUNESBOM para gestão do Didê no IRM

Documentos comprovam que comandante do CBMERJ tentou transferir R$ 25 milhões do fundo público da corporação para o instituto

Exclusivo: Coronel Tarciso tentou transferir R$ 25 milhões do FUNESBOM para gestão do Didê no IRM
Tarciso Salles tentou ficar próximo do Governador Couto Crédito: Ascom RJ

O convênio que previa a implementação de um Sistema de Monitoramento Metropolitano de Desastres Naturais do Estado do Rio de Janeiro estava prestes a ser celebrado entre o Instituto Rio Metrópole, presidido por Davi Perini Ribeiro, o Didê, atualmente preso no Complexo de Bangu; e a Secretaria de Estado de Defesa Civil, comandada pelo coronel Tarciso Antônio de Salles Junior. Pelo acordo, caberia à SEDC o repasse de R$ 25 milhões ao IRM, que passaria a ser responsável pelas licitações, contratações de pessoal, viabilização de visitas técnicas, aquisição de equipamentos, montagem de salas de monitoramento e execução de obras, entre outras despesas.

 

Casa Civil acatou parecer contrário da PGE

Casa Civil acatou parecer contrário da PGE
Governador Ricardo Couto foi a eventos do Coronel Crédito: Ascom RJ

O documento que determinou a abertura do processo administrativo para a viabilização da parceria foi assinado no dia 4 de fevereiro deste ano, pelo próprio Didê e recebeu o número SEI-150018/000096/2026. O acordo, no entanto, não saiu do papel graças à Casa Civil, que, já durante o governo Ricardo Couto, acatou o parecer contrário emitido pela Procuradoria Geral do Estado e também se posicionou contra.

 

R$ 25 milhões para a conta do IRM

Segundo a minuta à qual nossa reportagem teve acesso, os R$ 25 milhões que iriam para o IRM sairiam do Fundo Especial dos Bombeiros, o Funesbom, que tem a tarefa de gerir os recursos arrecadados com o pagamento da Taxa de Incêndio e de investir esse dinheiro na compra de viaturas, equipamentos de resgate e na manutenção e treinamento do Corpo de Bombeiros.

Governo Couto vetou

A Procuradoria Geral do Estado foi contrária ao acordo. No entendimento da PGE, a lei impede que recursos do Funesbom sirvam a outro propósito que não a aplicação direta na melhoria da corporação. Num despacho de 4 de abril desse ano, o Procurador-Chefe da Procuradoria de Serviços Públicos, Sérgio Espínola Catramby, afirma que "não se mostra possível, por ora, a transferência de recursos do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (FUNESBOM), pretendida neste feito, enquanto não for expedida orientação em sentido diverso pela Procuradoria Geral do Estado".

Veto em dose dupla

Em 8 de maio, a Procuradora e Assessora Jurídica Especial da Casa Civil, Luciana Junqueira de Almeida, também emitiu parecer contrário, afirmando que, além do impedimento legal na utilização de recursos do Funesbom, o Instituto Rio Metrópole possui orçamento próprio e não tem a função de executar projetos, mas apenas de elaborá-los e organizá-los. O processo então foi encerrado em 16 de junho.

Amizade antiga

A amizade entre Didê e o comandante dos bombeiros, Tarciso Salles, é antiga e agora virou alvo de investigações. A proximidade entre os dois inclui a troca de homenagens e elogios nas redes sociais e a condecoração de Didê com a medalha Mérito Avante Bombeiro. Após a prisão do então Presidente do Instituto Rio Metrópole e as revelações sobre a ligação entre ambos, o governador Ricardo Couto exigiu uma auditoria em todos os contratos da Defesa Civil para avaliar a permanência do coronel no cargo.

Tarciso nega relação

Na última semana, Tarciso teria sido chamado ao Palácio Guanabara para prestar esclarecimentos, como informou o Correio da Manhã. Ele nega residir em um apartamento emprestado pelo presidente do IRM e que não paga aluguel. Mandou para o jornal a seguinte nota, no qual tenta afastar a sua ligação com Didê, porém, o veto, ao contrato que estava sendo firmado, demonstra uma relação milionária em curso. Essa intimidade se manifestou na própria indicação do nome do coronel Tarciso para substituir Leandro Monteiro no comando da corporação e da Secretaria de Defesa Civil, que partiu de Didê.

Segue a nota: "O secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel Tarciso Salles, esclarece que são falsas as informações, divulgadas pela Coluna, de que reside em imóvel emprestado por terceiros.

O dado não foi objeto de qualquer apuração junto ao secretário antes da publicação".

Correio denunciou

O Correio da Manhã vem denunciando a falta de transparência do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (FUNESBOM). Em Janeiro, a manchete do jornal trazia "A caixa preta do bilionário Funesbom. As taxas de incêndio chegam anualmente e a prestação de contas não".

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