BRASILIANAS | Gol suspende voos internacionais diretos de Brasília e reduz a conectividade do Aeroporto JK
Decisão afeta cinco rotas, pressiona o Aeroporto JK e amplia incertezas sobre o leilão -- Fecomércio-DF vê prejuízo ao turismo, à cadeia produtiva e à logística econômica do Distrito Federal
23 de outubro de 202603:01por William França
Atualizado em 23 de outubro de 2026 - 11:56
A Fecomércio-DF classificou a suspensão como prejuízo para o DFCrédito: PRGIH/Divulgação
A decisão da Gol de encerrar, até fevereiro de 2027, todas as rotas internacionais operadas a partir de Brasília altera de forma significativa a conectividade aérea do Distrito Federal.
A medida inclui o fim das operações para Orlando, Miami, Buenos Aires e Bogotá, além da retirada antecipada da rota para Cancun, encerrada em agosto. Com isso, o Aeroporto Internacional de Brasília – presidente Juscelino Kubitschek (Aeroporto JK) perde 55,5% das suas linhas externas, já que a Gol respondia por cinco das nove rotas internacionais existentes.
O anúncio - revelado em primeira-mão pelo "Blog Brasília", de Chico Sant'Anna -, ocorre em um momento sensível para o setor. O Ministério dos Portos e Aeroportos (Mpor) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) trabalham na preparação do novo leilão de concessão do Aeroporto JK, após a atual operadora, Inframérica, alegar prejuízos e queda de fluxo.
O edital prevê a ampliação da ala internacional, com a construção de sete novas pontes de embarque, além de exigências para atender até 1.400 passageiros simultâneos em horários de pico.
Suspensão atinge vários segmentos
Dados da Embratur mostram que, até agosto de 2026, a chegada de estrangeiros por voos diretos ao DF caiu 6,08% em relação ao ano anterior. A retirada das rotas da Gol deve aprofundar esse movimento, afetando setores que dependem da circulação de visitantes, como comércio interno do aeroporto, serviços de limpeza de aeronaves, catering e operações de carga.
Os porões dos aviões internacionais transportam mercadorias que integram a logística exportadora do DF, incluindo produtos como carne de frango, frutas e embutidos bovinos.
A Gol atribui o ajuste ao aumento do preço do Querosene de Aviação (QAV), que dobrou e passou a representar cerca de 40% dos custos operacionais. A empresa afirma que continuará oferecendo conexões por meio de acordos de codeshare e interline, mas passageiros que viajarem para os Estados Unidos, Argentina ou Colômbia precisarão fazer escala em outros aeroportos, o que encarece e prolonga deslocamentos.
GDF não comentou o caso
Enquanto isso, o Governo do Distrito Federal (GDF) permanece sem posicionamento oficial. As secretarias de Turismo e de Relações Internacionais não comentaram os impactos da decisão, mesmo após serem procuradas pelo setor produtivo.
A ausência de manifestação ocorre em um momento em que Brasília tenta ampliar sua presença no mercado internacional e se prepara para sediar a Copa de Futebol Feminino em 2027.
A reação da Fecomércio-DF reforça a importância do setor para a dinâmica econômica local, especialmente pela capacidade de movimentar uma ampla cadeia de serviços e ampliar o fluxo de visitantes em Brasília | Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília
Fecomércio-DF reage ao fim das rotas internacionais da Gol e cobra ações para manter competitividade
A suspensão das rotas internacionais da Gol a partir de Brasília provocou reação imediata do Sistema Fecomércio-DF, que classificou a medida como um prejuízo para o turismo e para a cadeia produtiva do Distrito Federal.
Para o presidente da entidade, José Aparecido Freire, "a conectividade aérea direta é estratégica para atrair visitantes, fortalecer o setor e estimular a permanência de passageiros que utilizam o Aeroporto JK como ponto de conexão".
A Fecomércio-DF afirma que a redução da oferta de voos afeta segmentos como hotelaria, alimentação, eventos, transporte e serviços turísticos, além de comprometer oportunidades de negócios.
A entidade pretende procurar a Inframérica para avaliar iniciativas voltadas à recuperação das rotas suspensas, à atração de novas companhias aéreas e à abertura de novas conexões internacionais.
Representantes do setor reforçam a preocupação com os impactos sobre pequenos empreendedores que dependem da chegada de estrangeiros. Operadores de passeios, guias especializados, empresas de receptivo e prestadores de serviços culturais e gastronômicos relatam que a conectividade direta influencia diretamente a demanda por experiências turísticas, como roteiros arquitetônicos, visitas ao Lago Paranoá e atividades no entorno do Catetinho.
O Sebrae Nacional e o Sebrae-DF também avaliam que a conectividade internacional é um ativo econômico que influencia a competitividade do DF. Além do transporte de passageiros, os voos diretos movimentam cargas nos porões das aeronaves, integrando a logística exportadora da capital. Sem essa facilidade, produtos como carne de frango, frutas e embutidos bovinos podem perder competitividade e preço.
A Fecomércio-DF reforça que a conectividade aérea é essencial para o desenvolvimento do turismo e da economia local e aguarda posicionamento do Governo do Distrito Federal.
Receba as principais notícias do dia
Cadastre-se gratuitamente e fique por dentro de tudo que acontece no Brasil e no mundo.
Ao se inscrever, você concorda em receber nossa curadoria editorial por e-mail e aceita a nossa
Política de Privacidade.