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BRASILIANAS | Após anos de dificuldades, integração entre Samu e Bombeiros no DF ainda segue em discussão

Ministério Público acompanha entraves que ainda dificultam a coordenação do atendimento de urgência no DF -- Projeto busca integrar equipes, sistemas e informações para melhorar a resposta às ocorrências

BRASILIANAS | Após anos de dificuldades, integração entre Samu e Bombeiros no DF ainda segue em discussão
O processo ainda depende de adaptações operacionais Crédito: Secom-MT

A integração entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) voltou à pauta do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que reuniu representantes do Governo do Distrito Federal (GDF) no Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB), na última sexta-feira (9 de outubro) para discutir os desafios que ainda impedem uma atuação plenamente coordenada entre as duas estruturas de atendimento.

Embora ambos tenham papel central na resposta a emergências médicas, Samu e Bombeiros historicamente desenvolveram suas atividades de forma paralela. Ao longo dos anos, dificuldades de comunicação, regulação e compartilhamento de informações criaram obstáculos para a coordenação das equipes responsáveis pelo atendimento pré-hospitalar.

Na prática, a falta de integração pode gerar situações indesejadas para a rede pública de urgência. Em alguns casos, mais de uma ambulância pode ser enviada para a mesma ocorrência. Em outros, viaturas deixam de ser direcionadas para chamados que necessitam de atendimento imediato. O resultado é o uso inadequado de recursos que já são limitados e que precisam ser distribuídos de forma eficiente para atender a população.

Segundo o MPDFT, a integração entre os dois serviços é considerada estratégica justamente porque permite racionalizar a utilização das ambulâncias, melhorar o fluxo de informações e tornar mais ágil a tomada de decisões em situações críticas. O órgão acompanha o tema desde 2023 e avalia que ainda existem barreiras administrativas, tecnológicas e operacionais que precisam ser superadas.

A discussão também envolve a efetivação de medidas previstas em normas já existentes, mas cuja implementação depende de ajustes institucionais e operacionais. Para o Ministério Público, a superação dessas dificuldades é um passo importante para tornar a resposta às emergências mais eficiente e melhor coordenada em todo o Distrito Federal.

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O processo ainda depende de adaptações operacionais e da consolidação de mecanismos capazes de unificar registros | Foto: Secom-MT

Emergência 360 tenta unir estruturas que operaram separadas por anos

Uma das principais iniciativas em andamento para enfrentar os problemas históricos de coordenação entre Samu e Corpo de Bombeiros é o projeto Emergência 360, desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF). A proposta foi um dos temas centrais da reunião realizada entre integrantes do MPDFT e representantes do GDF no Centro Integrado de Operações de Brasília.

O projeto nasceu com a missão de criar um modelo de atuação mais integrado entre os órgãos que participam da resposta às urgências e emergências no Distrito Federal. O objetivo é que as decisões sejam tomadas a partir de informações compartilhadas e que os recursos disponíveis possam ser mobilizados de forma mais eficiente.

Um dos passos discutidos pelas autoridades é a ampliação da integração física das equipes dentro do CIOB. A proposta prevê maior proximidade entre os profissionais responsáveis pelo recebimento das chamadas, pela análise das ocorrências e pelo envio das ambulâncias. A avaliação é que essa convivência operacional possa reduzir ruídos de comunicação e facilitar a construção de protocolos comuns de atendimento.

Outro desafio considerado fundamental é a integração tecnológica. Atualmente, a consolidação do projeto depende de mecanismos que permitam ampliar o compartilhamento de dados e a troca de informações entre os sistemas utilizados pelos diversos órgãos envolvidos. A interoperabilidade das plataformas é vista como uma condição necessária para evitar duplicidades e aprimorar o acompanhamento das ocorrências em tempo real.

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, representantes das instituições reconhecem que o processo ainda está em construção. A integração dos registros, a compatibilização dos sistemas e o aperfeiçoamento dos fluxos operacionais seguem entre as etapas que precisam ser concluídas para que a proposta alcance plenamente os resultados esperados.

Por isso, o tema continua sendo acompanhado pelo MPDFT. A expectativa é que a articulação entre os órgãos permita transformar uma discussão antiga em uma política pública capaz de oferecer respostas mais rápidas, coordenadas e eficientes para a população do Distrito Federal.