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BRASILIANAS | Ministério Público inspeciona Metrô-DF e ouve relatos de avanços, que ainda não mudaram o serviço

Direção afirma ter ampliado frota e avançado em obras, mas rotina dos passageiros segue instável -- Frota reduzida, incidentes e déficit de servidores seguem sem solução apesar de anúncios recentes

BRASILIANAS | Ministério Público inspeciona Metrô-DF e ouve relatos de avanços, que ainda não mudaram o serviço
Integrantes da Procuradoria dos Direitos do Cidadão e do Metrô-DF Crédito: Divulgação/MPDFT

A Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão realizou, na última sexta-feira (9 de outubro), inspeção nas instalações do Metrô-DF, em Águas Claras, como parte do acompanhamento da prestação do serviço de transporte público no Distrito Federal.

Durante a visita, os procuradores Eduardo Sabo e Trajano Melo receberam da direção informações sobre medidas que - segundo a companhia -, representam avanços recentes na operação.

O Metrô-DF relatou que a frota em circulação passou de 16 para 22 trens, que a expansão da linha destinada a Samambaia alcançou 25% de execução e que terminais de autoatendimento para compra e recarga de bilhetes devem começar a funcionar em novembro.

A direção também informou que o edital para aquisição de 15 novos trens aguarda liberação do Tribunal de Contas do DF e que, após a conclusão do processo, os veículos podem entrar em operação em até 24 meses.

Os procuradores conheceram ainda o Centro de Comando e Operação, modernizado para controle das linhas e contenção de intercorrências. As informações foram apresentadas após período marcado por redução de frota, falhas recorrentes e aumento das reclamações de usuários.

Embora a companhia afirme ter implementado melhorias, o impacto dessas medidas ainda não aparece na rotina dos passageiros, que seguem enfrentando atrasos, interrupções e instabilidade na operação diária.

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O Metrô-DF tem 20 trens da linha 1000 (os que estão no centro da foto) e 12 da linha 2000 (os que estão no extremo da imagem). Nem todos estão operantes. | Foto: Divulgação/Metrô-DF

Crise estrutural mantém Metrô-DF sob pressão e afeta operação, segurança e atendimento

O Metrô do Distrito Federal atravessa uma crise estrutural que se agravou nos últimos anos e continua impactando diretamente a operação diária do sistema.

Dos 32 trens da frota original, apenas 19 circulam regularmente nos horários de pico, enquanto o restante permanece parado por falta de componentes. Para manter parte dos veículos em funcionamento, técnicos recorrem ao “canibalismo” de peças retiradas de trens fora de operação.

O sistema também registrou episódios de descarrilamento parcial na Asa Sul e focos de incêndio provocados pelo envelhecimento de capacitores a óleo em armários elétricos.

Nas estações, escadas rolantes e elevadores apresentam falhas frequentes, com relatos de acidentes envolvendo usuários idosos.

A falta de servidores ultrapassa 600 profissionais, e a ausência de concurso desde 2013 já levou à abertura de catracas para liberar o fluxo sem cobrança de tarifa. As reclamações na Ouvidoria cresceram 108% em meados deste ano.

A renovação da frota segue indefinida após suspensão, pelo Tribunal de Contas do DF, da licitação de R$ 900 milhões para compra de 15 novos trens.

Mesmo com os relatos apresentados pela direção à Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão, o quadro operacional permanece pressionado e os usuários ainda não observam mudanças significativas no serviço.