BRASILIANAS | Tribunal de Justiça do DF inicia construção da política institucional de inteligência artificial
Comissão abre frente de governança e reforça segurança, ética e revisão humana -- Corte amplia formação e discute efeitos da tecnologia sobre produtividade e bem-estar
30 de setembro de 202603:01por William França
A capacitação em inteligência artificial foi tratada como prioritáriaCrédito: TJDFT/Divulgação
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) realizou a reunião inaugural da Comissão de Inteligência Artificial, etapa que marca o início da construção de uma política institucional voltada ao uso ético, seguro e responsável das tecnologias de IA.
A iniciativa segue diretrizes do Conselho Nacional de Justiça e busca estabelecer parâmetros claros para aplicação das ferramentas no âmbito administrativo e jurisdicional.
Durante a abertura, o desembargador Alfeu Machado destacou que a inteligência artificial representa transformação estrutural comparável aos grandes avanços tecnológicos das últimas décadas e que sua utilização no Judiciário deve estar sempre associada à revisão humana, à proteção de dados e à preservação da análise crítica dos profissionais.
O encontro apresentou as entregas do grupo de trabalho responsável por estruturar a base da governança de IA no Tribunal, incluindo proposta de política institucional, matriz de riscos, fluxo de ciclo de vida das soluções e catálogo de ferramentas utilizadas.
A proteção de dados e a segurança da informação foram tratadas como pilares centrais da futura regulamentação, com ênfase na necessidade de ambientes tecnológicos capazes de garantir controle, confidencialidade e integridade das informações processuais e administrativas.
A comissão iniciará agora a análise da minuta da política institucional, etapa que antecede o envio do texto às instâncias competentes. Também foi apresentado o novo portal dedicado à inteligência artificial, que reunirá informações sobre governança, ferramentas e iniciativas do Tribunal.
A aplicação de IA no Judiciário deve estar sempre vinculada à revisão humana, à proteção de dados e à preservação da análise crítica dos profissionais | Foto: TJDFT/Divulgação
Capacitação em IA se torna prioridade estratégica no TJDFT
A capacitação em inteligência artificial foi tratada como eixo prioritário na reunião da Comissão de IA do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, que discutiu a necessidade de formação contínua de magistrados e servidores para uso consciente das ferramentas tecnológicas.
O letramento em IA foi apontado como requisito essencial para que os profissionais desenvolvam não apenas domínio operacional, mas também capacidade crítica para avaliar e revisar resultados produzidos pelos sistemas. Representantes da Escola de Formação Judiciária informaram que o tema já integra ações educacionais do Tribunal e que a estratégia institucional é ampliar progressivamente os programas de formação, incorporando conteúdos sobre governança, riscos, revisão humana e boas práticas de segurança.
O debate também abordou impactos da tecnologia sobre a organização do trabalho, reconhecendo seu potencial para reduzir tarefas repetitivas, aumentar produtividade e apoiar atividades intelectuais.
Ao mesmo tempo, os participantes destacaram a importância de monitorar possíveis efeitos relacionados à sobrecarga, dependência tecnológica e saúde mental. Nesse contexto, foi defendida atuação integrada entre áreas de tecnologia, gestão de pessoas, saúde e capacitação, de modo a assegurar que a transformação digital avance acompanhada de políticas voltadas ao bem-estar institucional e à valorização dos profissionais.
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