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BRASILIANAS | Arruda contesta apoio do PSD a Celina e relata repasse interno de R$ 1 milhão na sigla

Ex-governador rejeita decisão da Executiva e relata que Celina fez oferta de recursos, 'um saco de moedas' -- Lideranças ligadas a Arruda migram para a tucana Paula Belmonte; Grass (PT) acena com limites

BRASILIANAS | Arruda contesta apoio do PSD a Celina e relata repasse interno de R$ 1 milhão na sigla
Celina Leão (PP) e Paulo Octávio (PSD), quando do anuncio de apoio Crédito: Álame Fabiano

A Executiva do PSD-DF oficializou ontem à tarde o apoio à reeleição de Celina Leão (PP) após a saída de José Roberto Arruda (PSD) pelo indeferimento de sua candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão foi tomada em reunião com lideranças da sigla em Brasília.

O anúncio do apoio ocorreu com a presença de Celina e de vários candidatos que a apoiam, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata a senadora pelo PL.

O apoio oficial do PSD-DF à reeleição de Celina abriu uma divergência interna na sigla e provocou reação imediata de Arruda, que afirma que a definição não representa a posição da nominata.

“A maneira correta de dizer é que a Executiva do partido no DF fechou com a Celina, mas que a maioria dos candidatos a deputado distrital não fecharam. E que eu fiquei totalmente contra”, afirmou o ex-governador à coluna, no final da tarde de ontem.

Arruda também relatou a "Brasilianas" um episódio que, segundo ele, influenciou a movimentação interna da sigla. O ex-governador disse que houve uma oferta de recursos feita pela governadora para ser distribuída entre candidatos da nominata. “Celina Leão deu 1 milhão de reais, em dinheiro, para eles dividirem entre os candidatos. Um saco de moedas”, declarou.

Arruda afirmou que a informação lhe foi repassada por Paulo Octávio, presidente regional do PSD. A coluna procurou o dirigente, que "negou peremptoriamente ter feito qualquer afirmação neste sentido ao Arruda".

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Cena do vídeo em que o ex-candidato José Roberto Arruda anuncia que não apoiará Celina Leão | Foto: Instagram

A direção regional apresentou a versão institucional do movimento. Segundo Paulo Octávio, a governadora procurou o PSD logo após a decisão do TSE, iniciando as conversas que levaram ao alinhamento.

O dirigente afirmou que a maioria dos candidatos tende a acompanhar a orientação, embora não haja obrigação formal para que todos adotem o mesmo palanque. O partido tem 3,5 mil filiados no Distrito Federal e já integra a base de apoio de Celina em diferentes regiões administrativas.

A definição, porém, não foi seguida por Arruda, que rejeitou publicamente a decisão da sigla e afirmou que não apoiará a chapa governista. Em vídeo divulgado ainda na noite de domingo, nas redes sociais, o ex-governador declarou:

“Todo respeito a quem desejar tomar essa posição, mas sem o meu voto, sem o meu apoio”. Arruda também reforçou a ruptura ao afirmar: “Eu não apoio, definitivamente, em nenhuma circunstância. Eu não apoio Celina e Gustavo Rocha. Eles integraram o pior governo da história do Distrito Federal."

A ruptura de Arruda altera a composição do palanque governista e influencia a reorganização dos grupos políticos após sua saída da disputa.

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A ex-governadora Maria de Lourdes Abadia (PSD) declarou apoio a Paula Belmonte (PSDB) | Foto: Heitor Lopes/Comunicação Paula Belmonte

Espólio de Arruda fortalece Paula

A saída de José Roberto Arruda (PSD) da disputa pelo Buriti desencadeou uma reorganização imediata entre seus principais aliados, que passaram a reforçar a candidatura de Paula Belmonte (PSDB). A tucana recebeu o apoio de lideranças que integravam a base do ex-governador e ganhou estrutura de cabos eleitorais nas regiões administrativas, ampliando sua presença territorial na reta final da campanha.

Entre os novos apoiadores está a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia (PSD), que justificou a escolha por pautas sociais e de acolhimento a idosos e famílias. Abadia também fez críticas à atuação do PSD na eleição, afirmando ter recebido menos mobilização e recursos do fundo eleitoral do que outros integrantes da nominata.

O vice-presidente do PSD-DF, Lucas Kantoyanis, aliado histórico de Arruda, também declarou apoio à tucana. A migração do grupo fortalece Paula e a posiciona como polo relevante no campo de centro-direita após o indeferimento do ex-governador.

Em paralelo, Leandro Grass (PT) abriu espaço para eventual apoio de Arruda em um segundo turno, mas com condicionantes. O petista afirmou que não pretende alterar o programa de governo e que buscará formar uma frente ampla contra Celina Leão (PP), mantendo conversas discretas com setores ligados ao ex-governador.