O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro não terá edição em 2026. O cancelamento foi confirmado ontem (10 de agosto) pela direção do evento e pela Secretaria de Cultura, após semanas de atrasos nos repasses e de salários não pagos a cerca de 50 profissionais que trabalhavam desde março na preparação da 59ª edição.
A informação foi revelada pela rádio CBN, na tarde de ontem. O festival, criado em 1965 e reconhecido como patrimônio imaterial do Distrito Federal desde 2007, nunca havia sido suspenso por razões financeiras. A única interrupção ocorreu entre 1972 e 1974, durante a ditadura militar, como forma de protesto.
A edição deste ano estava prevista para começar daqui a exatamente um mês (em 11 de setembro), no Cine Brasília, e já tinha cerca de 80 filmes selecionados para a mostra competitiva e para as exibições paralelas.
Orçamento era previsto desde 2024
O evento fazia parte de um acordo de três anos firmado entre a Secretaria de Cultura e a organização social responsável pela execução do festival, com orçamento total de R$ 9 milhões para o triênio 2024–2026. Cada edição tinha previsão de investimento de R$ 3 milhões, valor que não foi integralmente repassado em 2026, segundo a direção do festival.
Na semana passada, a equipe organizadora relatou que não recebia salários, e o governo, embora reconhecesse o atraso, negava o cancelamento. Esta informação foi publicada por "Brasilianas".
A situação se agravou após a organização social informar que não havia condições de manter a estrutura sem os repasses previstos no contrato, o que inviabilizou a montagem da programação e o cumprimento dos prazos operacionais.
O Cine Brasília, sede histórica do festival e último cinema de rua do Distrito Federal, também enfrenta dificuldades desde julho, quando a falta de recursos comprometeu o pagamento de funcionários e fornecedores.
Inaugurado em 1960 e parte do conjunto arquitetônico de Oscar Niemeyer, o espaço é considerado um dos mais importantes equipamentos culturais de exibição cinematográfica da América Latina e teve suas atividades ameaçadas pela ausência de repasses.
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