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BRASILIANAS | BRB convoca assembleia para autorizar ações contra ex‑gestores envolvidos nas operações do caso Master

Reunião marcada para 24 de agosto vai discutir medidas de responsabilização após prejuízos bilionários -- Governadora Celina Leão explica entraves e afirma que não há risco de liquidação da instituição

BRASILIANAS | BRB convoca assembleia para autorizar ações contra ex‑gestores envolvidos nas operações do caso Master
Paulo Henrique Costa, investigado por suspeita de descumprir práticas de governança para viabilizar negócios considerados irregulares entre o banco público e o Banco Master Crédito: Divulgação/BRB

O Banco de Brasília (BRB) marcou para 24 de agosto uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) destinada a discutir a autorização para que a instituição ingresse com ações de responsabilidade civil contra ex-administradores envolvidos nas operações realizadas com o ecossistema financeiro do Banco Master e da gestora REAG entre 2024 e 2025.

A convocação foi publicada na edição de ontem (03.08) do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) e representa o primeiro movimento formal da atual gestão para buscar reparação financeira após os prejuízos bilionários que levaram o banco a uma das maiores crises de sua história.

Entre os possíveis alvos da deliberação estão o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o ex-diretor executivo de Finanças e Controladoria, Dário Oswaldo Garcia Junior. Ambos atuaram no período das operações investigadas e são citados pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, que apura fraudes, má gestão, vantagens indevidas e a aquisição de carteiras de ativos consideradas de baixa qualidade.

Segundo as investigações, o BRB absorveu cerca de R$ 12,2 bilhões em papéis classificados como de alto risco, o que comprometeu o caixa da instituição e desencadeou uma série de medidas emergenciais de capitalização.

A Operação Compliance Zero aponta que Paulo Henrique Costa teria recebido vantagens indevidas para facilitar a incorporação de ativos do Banco Master, enquanto Dário Oswaldo Garcia Junior teria atuado para acelerar etapas internas e contornar mecanismos de controle.

O grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, também é investigado por estruturar operações que resultaram em prejuízos ao BRB e por manter uma rede de intermediários financeiros e operadores políticos.

Ações podem buscar ativos perdidos

A AGE convocada pelo BRB busca formalizar a autorização dos acionistas para que o banco ingresse com ações específicas de responsabilização civil, abrindo caminho para tentar recuperar parte das perdas registradas no período e reforçar a posição institucional da atual administração diante das irregularidades apuradas.

A decisão ocorre em meio às auditorias conduzidas pelo Banco Central (BC), que mantém fiscalização rígida sobre o caso e já barrou tentativas anteriores de aquisição do Banco Master pelo BRB. A assembleia deve definir o alcance das medidas judiciais e o encaminhamento das ações contra os ex-gestores envolvidos.

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A governadora Cellina Leão, durante a convenção do PP que a indicou candidata à reeleição | Foto: Reprodução/CNN

Empréstimo de R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB avança lentamente e depende de documentação dos bancos

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o empréstimo de R$ 6,6 bilhões solicitado ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para recuperar o Banco de Brasília (BRB) ainda não foi liberado porque o Banco do Brasil (BB), responsável por liderar o consórcio de instituições financeiras envolvidas na operação, está concluindo a coleta e a validação da documentação exigida para o aporte.

O acordo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 28 de maio e é considerado essencial para estabilizar o caixa do BRB após os prejuízos acumulados nas operações realizadas com o Banco Master e a gestora REAG entre 2024 e 2025.

Segundo Celina, o processo está na fase final e depende apenas da entrega dos documentos pelas instituições classificadas como N1, que compõem o consórcio responsável por viabilizar o crédito.

A governadora afirmou que, segundo ela, não há risco de liquidação do BRB e que o banco está em recuperação, afirmando que a demora decorre exclusivamente de etapas técnicas e burocráticas.

No último sábado, durante a convenção do PP que homologou o nome de Celina para a reeleição no DF, a governadora também criticou adversários políticos por explorar a crise e disse que a estabilidade do BRB é fundamental para preservar a previdência dos servidores públicos e programas sociais do Distrito Federal.

A crise financeira do BRB tem impacto direto no governo local, que é o acionista majoritário da instituição e depende dos dividendos do banco para reforçar áreas como saúde e segurança.

Banco Central de olho no BRB

A desvalorização das ações e a queda no lucro reduziram a capacidade de repasse ao Tesouro do DF, ampliando a pressão sobre a atual gestão.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, tem mantido reuniões com o Banco Central (BC) para ajustar o plano de capitalização e decidiu adiar a divulgação do balanço patrimonial de 2025 até a assinatura definitiva do empréstimo, medida que busca evitar maior desgaste público enquanto o aporte não é concluído.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou em audiência no Senado que a autarquia resistiu às tentativas de fazer o BRB adquirir o Banco Master e mantém auditorias internas para apurar eventuais omissões na gestão anterior.

Para o BC, o caso exige fiscalização contínua e medidas de reforço de governança. A liberação do crédito do FGC é vista como etapa decisiva para a recuperação do BRB e para a recomposição da confiança dos investidores após os prejuízos bilionários registrados no período investigado.