A poucos dias do encerramento do prazo legal para registro das candidaturas, a família do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) caminha para ficar integralmente fora das eleições de 2026 no Distrito Federal.
Se a saída for confirmada, será o encerramento de um ciclo político que marcou a capital federal desde 2018, quando Ibaneis chegou ao Palácio do Buriti.
A situação produz um contraste relevante para o cenário local. Durante quase oito anos, o grupo político liderado por Ibaneis ocupou posições centrais na administração do Distrito Federal, além de influenciar articulações partidárias e eleitorais. Agora, chega ao período final de formalização das candidaturas com presença praticamente residual no processo eleitoral.
O movimento começou em 9 de julho, quando Ibaneis anunciou que desistia da disputa por uma vaga no Senado e deixava a vida pública após pouco mais de sete anos como uma das principais lideranças políticas da capital.
Irmão também desistiu
Desde então, uma sequência de decisões reduziu ainda mais a presença eleitoral do grupo familiar. Semana passada, o advogado Renato Rocha, irmão do ex-governador, comunicou oficialmente sua desistência da candidatura à Câmara Legislativa pelo Partido Renovação Democrática (PRD). Em mensagem enviada a aliados, afirmou que a decisão foi tomada após refletir "sobre os custos pessoais e familiares da atividade política".
O filho de Ibaneis, João Pedro Rocha, também afastou qualquer possibilidade de disputar um cargo eletivo neste ano. Filiado ao MDB desde novembro de 2025, o jovem empresário reiterou que pretende permanecer apenas nas atividades ligadas à juventude partidária e ao debate político.
O esvaziamento do grupo ficou simbolicamente evidente durante as convenções partidárias realizadas no último fim de semana. Ibaneis não compareceu ao encontro em que o MDB oficializou apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP) no último sábado. João Pedro também não esteve presente.
No mesmo período, a ex-primeira-dama Mayara Noronha Rocha faltou à convenção do Podemos que homologou seu nome para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Neste momento, ela é a única integrante da família que ainda pode aparecer nas urnas. O Podemos concedeu prazo até a quarta-feira desta semana (dia 5 de agosto) para que a advogada decida se assinará o pedido de registro da candidatura.
Caso Mayara decida não registrar a candidatura, a eleição de 2026 marcará a primeira vez, desde a vitória de Ibaneis ao Governo do Distrito Federal em 2018, que nenhum integrante do núcleo familiar estará diretamente nas urnas.
Será o desfecho de um ciclo político que dominou boa parte da política brasiliense ao longo dos últimos oito anos.
Mayara decide futuro político sob pressão pessoal e eleitoral
Homologada pelo Podemos no sábado (01) para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, a ex-primeira-dama Mayara Noronha Rocha ainda não decidiu se levará adiante a candidatura. A definição terá de ocorrer nas próximas horas e é tratada como uma decisão exclusivamente pessoal, apesar dos esforços do partido para mantê-la na disputa.
O presidente do Podemos-DF, Christian Viana, confirmou à "Brasilianas" que toda a documentação necessária para o registro foi entregue pela advogada, mas ressaltou que a palavra final caberá apenas a ela. "Caberá a ela decidir se assinará o pedido de registro", afirmou.
Nos bastidores da legenda, dirigentes admitem que a indefinição persiste mesmo após a homologação realizada pela convenção regional.
Aliados próximos relatam que Mayara atravessa um momento de forte desgaste emocional. O secretário-geral nacional do Podemos, Luiz França, disse ter conversado com ela antes da convenção. "Falei com ela hoje (sábado) e ela está muito tristinha. Vamos aprovar o nome dela na convenção e depois ela toma uma decisão", afirmou.
Casal estaria separado, dizem amigos
A avaliação interna do partido é que a conjuntura pessoal da ex-primeira-dama passou a influenciar diretamente o calendário político. Desde o início de julho, ela vive uma crise conjugal com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e o casal estaria separado, segundo amigos.
O afastamento coincidiu com a viagem do ex-governador para sua fazenda em Corrente, no Piauí, período em que ele anunciou a desistência da candidatura ao Senado e a saída da vida pública. Poucos dias depois, Mayara não participou da celebração dos 55 anos do marido, organizada na propriedade rural com a presença de amigos e aliados políticos.
A indefinição ganha relevância porque a própria Mayara já havia revelado publicamente que Ibaneis não apoiava sua intenção de disputar um mandato. Em entrevista ao programa "Fala França", ela afirmou que o ex-governador considerava o ambiente político excessivamente hostil para a família e disse que, se dependesse dele, a entrada de Mayara na corrida eleitoral não teria ocorrido.
Mesmo assim, a advogada sustentava que estava preparada para o desafio político. Por isso, sua ausência na convenção e a demora para confirmar o registro passaram a ser observadas por aliados como sinais de que fatores pessoais continuam pesando na decisão.
No Podemos, ninguém arrisca um prognóstico. A candidatura continua de pé, mas o desfecho permanece em aberto.
Se confirmar a candidatura, Mayara manterá o sobrenome Rocha presente nas urnas de 2026. Se recuar, encerrará por completo a participação eleitoral direta da família que esteve no centro da política do Distrito Federal durante os dois mandatos de Ibaneis no Palácio do Buriti.
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