Ibaneis Rocha (MDB) completa 55 anos nesta sexta-feira, 10 de julho, em um momento marcado por isolamento e desgaste pessoal - e familiar. O ex-governador passou cerca de dez dias sozinho em sua fazenda em Corrente, no Piauí, período no qual tomou a decisão de deixar a vida pública e desistir da disputa ao Senado. E passa o aniversário lá, hoje, sem a presença da família.
Interlocutores próximos afirmam que o processo de se afastar da política foi solitário e emocionalmente difícil. Um amigo que mantém contato frequente com Ibaneis relatou à “Brasilianas” que o ex-governador viveu dias de reflexão intensa, porém acompanhados de consumo recorrente de vinho — hábito conhecido por auxiliares durante sua gestão no GDF e que sempre foi tratado com discrição.
Por exemplo: secretários e assessores próximos desprezavam o fato de o ex-governador raramente ter compromissos púbicos após o almoço - que sempre foi regado a bons vinhos portugueses (o preferido dele é o Pêra-Manca Tinto, cuja garrafa custa entre R$ 4.500 e R$ 5.500).
Segundo esse interlocutor disse a "Brasilianas", Ibaneis enfrenta atualmente "um forte problema conjugal". A expressão demonstra que o casamento de quase sete anos do ex-governador está bastante abalado.
A informação, tratada com cautela por pessoas próximas, ajuda a explicar parte do contexto pessoal que antecedeu a decisão anunciada tão-somente à imprensa no fim da tarde da última quarta-feira (8 de julho). Ele não deu satisfações a seu partido ou seus correligionários.
Ibaneis disse aos jornalistas que se sentia "cansado e magoado". Também relatou estar muito sentido "com traições" e decepcionado com muitos que considerava amigos na politica.
O ex-governador é casado com Mayara Noronha, 38 anos, que comandou a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) do DF entre 2020 e 2023, exatamente durante o governo de seu marido, Ibaneis Rocha.
A situação familiar se deteriorou após o rompimento político entre Ibaneis e a governadora Celina Leão (PP), ocorrido em maio. Quando Celina assumiu o GDF em março, por conta da desincompatibilização eleitoral, manteve inicialmente a estrutura da Sedes - trocou apenas a titular interina e colocou uma de suas melhores amigas, Giselle Ferreira, no comando da pasta.
A gota d'água: nomeação da inimiga
No entanto, após o rompimento público entre os dois, Celina iniciou mudanças na pasta e em áreas sob influência de Mayara. Indicações ligadas à ex-primeira-dama foram substituídas, o que gerou reclamações que chegaram ao Palácio do Buriti. Segundo interlocutores, essas manifestações foram solenemente ignoradas pela governadora, ampliando o desgaste entre os grupos.
A tensão aumentou com a nomeação ainda em maio de Fabiana Di Lucia da Silva Peixoto, desafeta (inimiga até) de Mayara, para a diretoria administrativa da ETR S.A. — a Empresa de Regularização de Terras Rurais, sociedade vinculada à Terracap e responsável pela gestão de imóveis rurais do DF.
Fabiana havia deixado uma diretoria da Terracap anteriormente, na gestão Ibaneis, por pressão e exigência de Mayara. Sua volta ao governo, agora em posição estratégica, foi interpretada por aliados de Ibaneis como gesto político que acentuou o atrito familiar.
O conjunto desses fatores — isolamento prolongado, crise conjugal, desgaste político e tensões entre grupos ligados ao ex-governador e à atual gestão — compôs o ambiente que antecedeu a decisão de Ibaneis de se afastar da vida pública.
A saída do ex-governador, anunciada como "escolha pessoal", ocorreu em meio a um cenário complexo que envolveu não apenas cálculos e traições políticas e eleitorais, mas também circunstâncias familiares, conjugais e emocionais que pesaram no processo.
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