Como se diz no show-business, o "show tem de continuar". E o MDB do DF sequer esperou a poeira baixar e ecoarem os lamentos pela decisão do ex-governador Ibaneis Rocha de desistir de concorrer ao Senado para já alinhar novos rumos para o partido e desenhar uma reaproximação com a governadora Celina Leão (PP) e o Palácio do Buriti.
Poucas horas antes do anúncio da decisão do ex-governador vir a público, segundo apurações feitas por “Brasilianas”, Celina Leão e o deputado federal Rafael Prudente (MDB) já haviam se reunido de forma reservada, em encontro solicitado pelo presidente do MDB-DF e da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz - a pedido do presidente nacional da legenda, Baleia Rossi.
A reunião ocorreu sem a presença de Wellington, mas com aval direto da direção nacional do partido, que buscava uma definição sobre o papel do MDB no governo e na política do DF, após semanas de tensão interna.
Interlocutores informaram que o encontro teve tom ameno, apesar do histórico recente de divergências entre Celina e Prudente. A conversa tratou de ajustes políticos, da reorganização do MDB e da própria situação de Ibaneis, que naquele momento ainda não havia tornado pública sua decisão.
Prudente reafirmou então a intenção de disputar novo mandato na Câmara dos Deputados, afastando, naquele momento, a hipótese de concorrer ao Palácio do Buriti — possibilidade que vinha sendo estimulada por Ibaneis até poucos dias antes.
Ressurge a figura de Tadeu Filippelli
A reunião com Celina teve um elemento adicional de grande peso político: a presença de Tadeu Filippelli, ex-vice-governador do DF (na gestão Agnelo Queiroz, do PT), quatro vezes deputado federal e com um mandato de distrital, e figura influente no MDB do DF. Filippelli, que ultimamente vinha mantendo atuação discreta na política local, reapareceu no centro das articulações.
Ele é amigo e aliado histórico de Wellington Luiz e mantém trânsito entre diferentes grupos do partido. Foi um dos pilares da resistência quando Ibaneis tentou forçar a troca da presidência do MDB local, afastando Wellington. Sua participação no encontro com Celina foi interpretada como sinal de que o MDB buscava recompor pontes com o Buriti, mesmo diante do afastamento (agora declarado) de Ibaneis.
Uma outra movimentação, realizada na semana passada, veio no reforço dessa leitura. "Brasilanas" apurou que Filippelli foi nomeado diretor-técnico da Corumbá Concessões S.A., empresa responsável pela operação da Usina Hidrelétrica Corumbá IV, em Goiás.
A companhia é uma sociedade anônima formada por um consórcio que inclui órgãos do Distrito Federal — CEB, BRB, Terracap e Caesb — além de empresas privadas como Serveng Civilsan e C&M Engenharia. A governadora Celina tem influência direta sobre o bloco público que compõe o capital da empresa.
O cargo de diretor-técnico, que Filippelli passou a ocupar, tem remuneração mensal de R$ 19.639,55, acrescida de adicional de periculosidade de 30%, totalizando cerca de R$ 25.531,41. Ele veio substituir Kim Parente Currlin Perpétuo, indicado pelo senador Eduardo Gomes (agora no PL-TO), que estava na função desde abril de 2020 - ou seja, desde o início do primeiro mandato de Ibaneis Rocha no GDF.
A troca foi interpretada por interlocutores como gesto político claro: uma sinalização de aproximação entre Celina e o MDB, num momento em que o partido precisava reorganizar sua posição no tabuleiro local.
A presença de Filippelli na reunião e sua nomeação na Corumbá Concessões se somam ao esforço de recomposição interna do MDB após a saída de Ibaneis. O partido, que vinha enfrentando tensões entre seus principais quadros, agora busca estabilizar sua rota para 2026. A desistência de Ibaneis, que já vinha sendo considerada nos bastidores, acelerou esse processo.
Celina tenta recompor sua base, para disputar a reeleição
Fontes próximas ao Buriti, ouvidos por "Brasilianas", afirmam que o encontro entre Celina e Prudente também tratou da necessidade de “baixar a temperatura” entre os grupos políticos que se distanciaram nos últimos meses. A governadora, que rompeu publicamente com Ibaneis em maio, tenta reorganizar sua base para a disputa eleitoral. Prudente, por sua vez, busca preservar espaço no MDB e manter diálogo com diferentes setores da sigla.
A reunião, segundo relatos, também contou com a presença do ex-secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Valério Neves, e de outros interlocutores. O objetivo era aparar arestas e construir uma linha de convivência política mínima entre MDB e Buriti, independentemente da decisão que Ibaneis tomaria horas depois.
Com a saída do ex-governador, o MDB entra em nova fase. O partido preserva protagonismo, recompõe alianças e ocupa posições estratégicas, enquanto Celina busca ampliar sua rede de apoio para a reeleição. A reorganização ocorre em ritmo acelerado, num cenário em que cada gesto — reunião, nomeação, presença de figuras históricas — passa a ter peso na definição das alianças para 2026.
A política do DF, como mostram os bastidores, não espera. E o MDB, mesmo sem Ibaneis, segue em movimento. Sem baixar a poeira e sem deixar esfriar nada...
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