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BRASILIANAS | SUS Paulista: modelo que inspira o DF mostra alto custo e forte expansão

Modelo de São Paulo, criado em 2023, investiu R$ 4,3 bi para ampliar oferta

BRASILIANAS | SUS Paulista: modelo que inspira o DF mostra alto custo e forte expansão
UPA em São Paulo, estado que tem reforço no SUS desde 2023 Crédito: Divulgação

O SUS-DF tem como referência a Tabela SUS Paulista, política criada em 2023 pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para complementar os valores pagos pelo Ministério da Saúde. O programa paulista ampliou a oferta de serviços, mas exigiu investimento elevado.

A Tabela SUS Paulista foi regulamentada no fim de 2023 e complementa os valores da tabela federal para cirurgias, exames e internações. A iniciativa tornou a participação da rede filantrópica mais atrativa, especialmente para Santas Casas e hospitais que dependem de repasses públicos.

O programa também passou a incluir hospitais municipais, ampliando a capacidade de atendimento e fortalecendo a parceria entre estado e municípios.

O custo do programa: R$ 4,3 bilhões em 2024

Em 2024, o governo de São Paulo destinou R$ 4,3 bilhões ao SUS Paulista. O valor permitiu a reativação de leitos que estavam fechados, a ampliação da oferta de cirurgias eletivas, o aumento da capacidade de realização de exames e a redução de filas em diversas regiões do estado.

O montante evidencia que políticas de complementação remuneratória exigem investimento contínuo e planejamento financeiro robusto.

Por que o DF cita o modelo paulista?

A exposição de motivos do projeto do GDF afirma que a tabela federal está defasada e que a complementação é necessária para atrair a rede privada. O governo cita o SUS Paulista como exemplo de política pública capaz de reduzir filas e agilizar procedimentos.

No entanto, ao contrário de São Paulo, o projeto do DF não apresenta estimativa de custo nem projeção de impacto financeiro. A definição dos valores ficará para a regulamentação posterior, o que impede, por ora, uma comparação direta entre os dois modelos.

Enquanto São Paulo divulgou valores, metas e investimentos, o DF ainda não detalhou:

- quanto pretende pagar por procedimento;

- qual será o impacto anual no orçamento da saúde;

- qual será a demanda absorvida pela rede privada;

- qual será o limite de contratação.

A experiência paulista mostra que o modelo pode funcionar, mas depende de recursos elevados e previsibilidade — pontos que ainda não foram apresentados pelo GDF.